A divulgação da tal fita só serviu para desfazer imagem de reunião ministerial

Está desfeito o mistério da gravação da tal reunião ministerial do dia 22 de abril, evento determinante para a crise aberta com a saída do ministro Sérgio Moro, do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. A gravação reforça as declarações de Sérgio Moro de tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Interessante, porque Bolsonaro, numa das declarações nas suas paradas, já obrigatórias, na saída (ou chegada) do Palácio da Alvorada, disse que “o presidente pode quase tudo, mas não pode tudo”, em resposta a uma indagação de uma senhora sobre a necessidade de todo mundo voltar a trabalhar. Pois, a tal declaração se aplica, justamente, na tentativa de interferência nas ações da Polícia Federal, como em uma investigação, por exemplo, considerando que a Polícia Federal é uma instituição de Estado e não de governo. Mas, não é isso que o presidente Bolsonaro parece compreender.

Entretanto, o que parece mais grave e sério é que reunião ministerial, sob o comando do presidente da República, sempre significou para a sociedade nacional um evento da mais alta reputação, em que predominam manifestações formais e respeitosas, com o emprego rotineiro da expressão Vossa Excelência, seja para o presidente da República, seja dele para qualquer de seus ministros, na abordagem de temas de indiscutível relevância para a Nação, sem espaço para opiniões pessoais de temas estranhos a uma agenda pré-determinada. Isso é o que sempre se avaliou, de fora dos palácios de Brasília, para cá. Sim, dos palácios, eis que, pelas versões que estão sendo ouvidas agora, esse verdadeiro bate-boca da reunião do dia 22 de abril não é uma exclusividade do Executivo, em especial, do governo de Jair Bolsonaro, mas alcança os demais poderes e, em especial, governos do passado. Ou seja, Brasília, como dito pelo ministro Abraham Weintraub, no tal vídeo, “é muito pior do que eu pensava”. Seguramente, deve ser mesmo, pois, o jornalista Alexandre Garcia escreveu, em um de seus últimos artigos que “nunca vi reunião ministerial sem palavrões.” E Alexandre Garcia conhece o Palácio do Planalto, por dentro, por ter sido porta-voz do general Figueiredo, último general presidente da República. E, na mesma esteira, o jornalista José Maria Trindade, um dos apresentadores do programa “Pingos nos IIs”, da Rede Jovem Pan, deu um depoimento de coisa parecida – mais grave, segundo ele – de reunião ministerial havida ao tempo de Collor de Mello no Palácio do Planalto, com o emprego de expressões impublicáveis, numa fala com o então ministro do Trabalho, Rogério Magri.

Por conseguinte, o ministro Weintraub deve, mesmo, ter dito uma grande verdade sobre Brasília, pois, não custa acrescentar o que havia ao tempo dos governos de Lula, em que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci,  participava de festinhas numa mansão da Capital, que acabou sendo denunciado pelo jardineiro da casa. Isso tudo parece explicar o fato de os governos não avançarem na solução dos grandes problemas nacionais, porque o ambiente parece não ser propício ao trabalho, ao compromisso de zelar pelo dinheiro público e de se dedicar ao bem-estar do povo brasileiro.

Menos mal que Bolsonaro ainda não tem denúncia de corrupção em seu governo, mas essa chamada do Centrão para compor o governo é uma séria ameaça ao compromisso da moralidade pública.

No mais, só resta mesmo pedir a Deus que salve o Brasil de seus governos e de seus presidentes.

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