É possível que tenhamos o maior número de candidatos a prefeito

A mudança na legislação, que não permite mais coligação partidária na eleição proporcional, ou seja, para vereador, deputado estadual e deputado federal, está a sugerir um claro indicativo do aparecimento de um grande número de candidatos a prefeito, isto pela imposição da circunstância de que a chapa de vereadores dependerá de um candidato majoritário, como puxador de votos, ficando o processo das composições partidárias, no apoio a um candidato majoritário, no caso específico deste ano, a de prefeito, para o segundo turno, naturalmente, nos municípios que tiverem colégio eleitoral acima de 200 mil eleitores, o que, no Paraná, remete para cinco municípios, Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel.
O novo dispositivo legal, que será inaugurado no processo eleitoral deste ano, vai significar, também, a existência do maior número de postulantes a cadeiras na Câmara Municipal, tendo em vista a imposição da reunião do maior número possível de candidatos, nos limites que a própria legislação estabelece, para a conquista do indispensável voto de legenda, que determina a eleição, ou não, de representante de cada partido no Legislativo Municipal. Cada partido poderá lançar um número cinqüenta por cento a mais do número de cadeiras no respectivo Poder Legislativo. No caso específico de Ponta Grossa, que, de 23 vereadores, houve a redução para 19, cada partido poderá registrar até 29 candidatos, considerando, ainda, que 30% desse total pertence a candidaturas femininas. Bobagem ou não, o certo é que esse dispositivo continua vigorando.
Tendo em vista que nossa realidade comporta um sem número de partidos políticos, estará assegurada uma grande surpresa para o resultado final, parecendo que não existirá, de princípio, a figura do candidato tido e havido como eleito, pelo seu reconhecido prestígio pessoal. Tudo vai depender da composição da respectiva chapa, eis que esse candidato, de reconhecido prestígio, poderá fazer a sua parte, conquistando uma votação expressiva, mas o restante da chapa deixando a desejar no desempenho da conquista de votos, o que levará o partido a não conseguir o chamado voto de legenda, que é o número mínimo estabelecido, numa divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras, para que cada partido conquiste uma cadeira, que, naturalmente, pertencerá ao mais votado. Se o voto de legenda comportar uma segunda cadeira, o ocupante será o segundo colocado. E, assim, por diante.
Por exemplo, se, em Ponta Grossa, tivermos 200 mil votos válidos para vereador, será preciso dividir esse número por 19, que é o total de vagas existentes, o que dará o resultado de 10,5 mil, número que passará a ser o voto de legenda. Assim, a cada grupo de 10,5 mil votos que um partido somar, terá direito a uma vaga. Se conquistar 21 mil votos, serão duas vagas. E, assim, sucessivamente.
Se há a desvantagem, pela dificuldade na composição de cada chapa de candidatos a vereadores, de outro lado, o chamado puxador de votos não irá beneficiar mais um candidato de outro partido, como acontecia no sistema anterior, pelo fato de era permitida a coligação partidária. Assim, o candidato de um partido da coligação, que fazia grande votação, acabava, não raro, beneficiando o candidato de outro partido da mesma coligação. Na nova configuração, isso não mais acontecerá.
Essa novidade, por conseguinte, já está a exigir que cada partido, de alguma forma, apresente seu candidato a prefeito, para assegurar mais visibilidade aos candidatos a vereadores. Entre benefícios e malefícios, o número de benefícios acaba sendo maior, especialmente, porque vai promover uma seleção interessante de partidos políticos.

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