Os representantes do povo perderam a noção do papel que deveriam cumprir

O deputado de 74 mil votos, do Rio de Janeiro, parece ter dispensado o papel de representar os interesses de seus 74 mil eleitores, trocando pela opção de representar os próprios interesses, eis que, investido na condição de presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia está no comando das decisões dos temas mais relevantes. E ele próprio é quem decide o que mereça ser relevante o que deva deixar de ser relevante. O projeto da Reforma da Previdência foi relevante ao seu modo, no que lhe interessava politicamente, tendo, inclusive, ao final, sido aclamado como o grande condutor da aprovação da dita matéria. Em relação ao pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, tratou o tema com claro desdém, tendo, ao longo do processo, chamado o ministro de “funcionário do presidente Jair Bolsonaro”, numa impressionante falta de dignidade parlamentar. Por pressão da sociedade, fez o pacote andar, mas do jeito que quis. Tirou do pacote o que havia de mais relevante, especialmente, a prisão em Segundo Instância, o chamado “Excludente de Ilicitude”, que favorece policiais no combate com criminosos, que resulte em mortes, e a questão do “Plea Bargain”, que é um importação da legislação americana, que permite ao réu o direito de uma confissão do crime, em troca de uma condenação mais branda, a nossa delação premiada paroquial. Casos de evidente avanço em nossa legislação penal. Entretanto, há um apreciável número de deputados e senadores que teme a questão da prisão por decisão de Segunda Instância, como o Diabo da Cruz, pela simples razão de se encontrarem na condição de investigados, ou denunciados, ou a caminho de uma condenação de Primeira e até de Segunda Instância. Logo, é preciso afastar para muito longe esse fantasma de facilitar a prisão de corruptos e membros do crime organizado. É o que explica o fato de o pacote do ministro Sérgio Moro ter sido picotado na sua aprovação na Câmara dos Deputados. Não há vontade política no Parlamento Brasileiro pelo aprimoramento do nosso Sistema de Segurança Pública, com o necessário rigor para combater o universo da corrupção e do crime organizado. E não há no Parlamento, como não há no Supremo Tribunal Federal, como se viu na recente decisão de revogar a decisão que havia de autorizar a prisão por sentença havida em Segunda Instância, o que configurou um forte golpe na Operação Lava Jato. Na verdade, o que se passou para a opinião pública nacional foi que a maioria dos ministros do STF se quedou ao criminoso maior deste País, o ex-presidente da República e prisioneiro Lula, para que ele fosse o grande beneficiado. Tanto que já está nas ruas, incitando o povo a praticar aqui a esculhambação que está se verificando no Chile e na Colômbia. Esquisitamente, ele não cita a Venezuela, porque, na criminosa mente dele, a Venezuela está, rigorosamente, sob um regime democrático, porque para o povo da esquerda inconseqüente todo o desastre de um governo de esquerda, que provoca manifestação popular, é uma tentativa de golpe contra um “governo democrático”.
Voltando ao ponto inicial, ganha força de que o Congresso Nacional, por suas casas, está sendo comandado por figuras suspeitas, que mais atendem aos interesses de corruptos e criminosos, do que, efetivamente, aos anseios da população, que clama por uma legislação mais rigorosa para punir todo o tipo de criminoso no País, mormente, os assaltantes do dinheiro público, que povoam corredores e gabinetes do Congresso.
E, por ironia da própria realidade nacional, escolhidos pelo voto popular.

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