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A encrenca no PSL não vai parar por aí. Bivar e Delegado Valdir podem aguardar

Mesmo sendo com Jair Bolsonaro, um presidente da República não pode sofrer uma derrota pública dentro de seu próprio partido, como aconteceu na semana passada, com o PSL. O presidente do partido, deputado Luciano Bivar, não pode ignorar que o PSL só se tornou um partido forte, por conta da vitória de Bolsonaro. E a sua moeda de troca, agora, a verba do Fundo Partidário pode não ser tão consistente, de modo a lhe garantir um confronto direto com o Palácio do Planalto. Da mesma forma, o líder do PSL, na Câmara, o deputado Delegado Waldir, não deveria estar cantando vitória, por ter conseguido se manter no cargo, ainda mais depois de ter chamado o presidente Bolsonaro de “vagabundo”. Ninguém ofende um presidente da República, nessa dimensão, impunemente. Nem mesmo um deputado, que tenha sido delegado de Polícia. Ou, até mesmo o “vagabundo” tenha sido pronunciado por quem foi delegado de Polícia.

Ainda que paulista de nascimento, Bolsonaro dá mostras de ter aprendido a lição que os gaúchos ensinam, dizendo que “a dor ensina a gemer”.

Esse giro internacional de Bolsonaro, neste exato momento, será estratégico para o desdobramento da crise com o PSL, e também para o governo, na definição de uma estratégia, nunca havida até agora, de montagem de uma base parlamentar de sustentação política do governo. Os seus encontros com os presidentes nacionais do MDB, Baleia Rossi, e do PSD, Gilberto Kassab, demonstram um princípio salutar de reação do Palácio do Planalto, em relação a tudo o que o PSL não soube fazer, em favor do governo, nestes dez primeiros meses. Além dos presidentes do MDB e do PSD, Bolsonaro se reuniu também, o presidente do Senado, David Alcolumbre, que é o DEM, numa espécie de sondagem para um conversa com o dirigente nacional desse partido, o prefeito de Salvador, ACM Neto, com quem, por sinal, mantém boas relações.

O corte radical, no que foi chamado de eliminação do balcão de negócios, na troca de apoio por cargos, foi um erro, porque não significa que não haja espaço, no Congresso Nacional, para uma negociação republicana, que possa comportar negociação de cargos no governo, sem o comprometimento da probidade administrativa, na inauguração de um novo estilo de governar com o Parlamento, isto é, poder negociar cargo, num plano superior de entendimento, em favor do País, rompendo, aí sim, o velho sistema de entregar ministério de porteira fechada, em que o próprio presidente perdia voz de comando.

Como as crises são geradoras de idéias, como “a dor ensina a gemer”, o presidente Jair Bolsonaro tem duas semanas de paz política, longe do Brasil, para arquitetar nova estratégia, com a participação interessante do general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo e responsável pela articulação política, para compor um novo quadro, onde haja espaço para uma composição de forças com representantes do Congresso Nacional, sem a renúncia ao compromisso da moralidade pública. Não se pode entregar o Ministério da Justiça, por exemplo, a um senador Renan Calheiros, como fez Fernando Henrique, nem o antigo Ministério da Reforma Agrária a um outro senador, Jader Barbalho, como fez José Sarney. Mas, é possível, destinar ministério, sim, para um parlamentar de vida honrada, de modo a reunir forças, como acaba de dizer Bolsonaro, para que “o bem vença o mal”.

E tudo isso sem esquecer a necessidade do troco a ser dado aos deputados Luciano Bivar e Delegado Waldir, porque o PSL é estratégico nessa reorganização do governo.

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