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Bolsonaro não sabe que não se briga com companheiros, mas, sim, com inimigos?

A deputada federal Joyce Hasselmann, a deputada mais votada da História do Brasil, com mais de um milhão de votos, sempre costumou qualificar os arroubos do presidente Jair Bolsonaro, como sendo o “jeito da madeira”. Pois, foi esse mesmo “jeito da madeira” que acabou por defenestrá-la do posto de líder do governo no Congresso Nacional, sem a menor consideração pessoal de uma comunicação.

O que é de se estranhar, nisso tudo, e não é a primeira vez, é o fato de Bolsonaro ser um militar, por formação, e não ter aprendido estratégia de guerra, de combate ao inimigo. Para começar, ele fala demais, quer ser engraçado demais, quer parecer transparente demais. E, aqui no Sul, costumamos dizer que “quem fala demais, dá bom dia para cavalo”. E é exatamente o que Bolsonaro acabou de fazer, na semana que passou, ao dizer a um cidadão, nas suas impertinentes falas matinais ao deixar o Palácio da Alvorada, para esquecer o PSL e que o presidente do partido, Luciano Bivar, “está queimado”. Coincidência ou não, nesta semana, a Polícia Federal fez busca e apreensão na casa e no escritório político de Bivar, no Recife, para apreender documentos que possam comprovar suspeitas de desvio de dinheiro, do Fundo Partidário, para campanhas de candidatas “laranjas” do PSL.

Como o deputado Luciano Bivar, hoje, ironicamente, por obra de Jair Bolsonaro, é o presidente de um partido grande e forte, que tem a segunda maior bancada de deputados na Câmara Federal, dispõe, neste ano de 2019, de R$ 109 milhões do Fundo Partidário para repartir com os deputados de seu partido, é um dado que Bolsonaro não levou em conta. E, para o ano que vem, das eleições municipais, terá R$ 359 milhões. Ou seja, Luciano Bivar deixou de ser um deputado sem expressão e um dirigente de partido nanico, que administrava R$ 5, R$ 6 milhões.

E ao se contrapor a Bivar, imaginando que poderia tomar de assalto o comando do partido, se valendo do filho deputado, Eduardo, o presidente Jair Bolsonaro cometeu o erro primário de desconsiderar o inimigo. E, no caso, o inimigo era um companheiro, até vinte e quatro horas antes. Mais, ele próprio, na condição de pai, deixou se levar pela emoção, não reconhecendo que seu filho Eduardo, mesmo sendo o deputado federal mais votado do Brasil, com mais de 1,8 milhão de votos, não tem prestígio dentro da Câmara Federal e enfrenta resistências dentro do próprio PSL, o que foi determinante para o vexame do pai, na derrota da coleta de assinaturas para o cargo de líder do partido na Câmara dos Deputados, com a derrota para o deputado Delegado Waldir, que se mantém no cargo.

Nessa briga estúpida, Bolsonaro, no mínimo, ofereceu mais 30 votos para o bloco do Centrão, que tem no comando o deputado Rodrigo Maia, que deve estar agradecido a Bolsonaro por este favor especial de torná-lo mais forte nos embates com o Palácio do Planalto.

Em política, como na guerra, a gente não briga com os companheiros, mas, sim, com os inimigos. E Jair Bolsonaro, com o tempo que teve de caserna, mais seus trinta anos de Câmara dos Deputados e pouco mais de nove meses na Presidência da República, não aprendeu nada disso. E, pelo visto, não avaliou ainda o tamanho do estrago para a frente, um perigoso enfraquecimento do apoio parlamentar no Congresso Nacional, que remete para, à primeira vista, uma bobagem pronunciada há questão de sessenta dias pelo deputado federal Ricardo Barros, de que “nós (deputados) demitimos o presidente da República”. Pode ter sido uma ameaça. Ou um aviso.

Ainda assim, como diz a deputada Bia Kicis, mil vezes Jair Bolsonaro do que o poste de Lula, Fernando Haddad.

Por fim, como Bolsonaro gosta de pescar, é bom lembrar que “peixe morre pela boca”…

 

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