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Impressiona o fato de Bolsonaro não ter conseguido revelar um líder no Congresso

O presidente Jair Bolsonaro ganhou a eleição, compôs o seu governo, dentro da prometida independência entre os Poderes da República, pretendendo, com isso, inaugurar um novo tempo, no respeito e na autonomia dos poderes, colocando um ponto final na fragilidade do Executivo, diante da forte interferência do Legislativo e uma visível dependência do Judiciário. No meio de toda essa reconhecida boa intenção de Bolsonaro, é forçoso reconhecer um elevado grau de ingenuidade inconcebível num homem público que viveu uma experiência de quase trinta anos no Parlamento, na condição de deputado federal. Uma coisa é a proclamação, e mesmo a reivindicação, da independência e harmonia entre os Poderes da República, nos exatos termos da Constituição. Outra coisa, bem diferente, é acreditar que o Poder Legislativo, na sua heterogenia, complexa e coletiva composição, tenha o mesmo grau de compromisso com a Nação, de um presidente que emergiu consagrado nas urnas,  com quase 58 milhões de votos, em cima de um discurso de combate a corrupção e ao crime organizado, que alcança um contingente nada desprezível de membros do próprio Legislativo, acostumado que foi a partilhar o poder, com o Executivo, num grande e vistoso balcão de negócios de toda a natureza.

Por conseguinte, Bolsonaro teria o dever elementar de, ao mesmo tempo em que reivindicou o justo direito de compor a sua equipe de governo longe do tradicional balcão de negócios, ter cuidado de compor uma bancada própria de apoio ao seu governo, de modo a se garantir no Parlamento na aprovação dos projetos reformistas que havia de enviar para lá, a fim de poder resgatar seus compromissos solenes da campanha eleitoral. Entretanto, se descuidou inteiramente dessa necessidade real, permitindo o reagrupamento do chamado Centrão, na Câmara dos Deputados, que reúne um grupo de partidos inexpressivos, com deputados ávidos por vantagens e saudosos do balcão de negócios, que voltou a significar a principal força eleitoral dentro da Câmara, sob o comando e a liderança do presidente da Casas, deputado Rodrigo Maia, que chegou, pela terceira vez consecutiva ao posto, com o apoio dessa força importante, e com ela comprometido.

Assim, enquanto o Palácio do Planalto se revelou omisso e incompetente em montar um grupo próprio, valendo-se da significativa renovação havida nas duas casas do Congresso Nacional, permitiu, especialmente na Câmara, que parlamentares oportunistas se compusessem numa vistosa, forte e influente frente parlamentar para se contrapor, na mesma independência, à independência proclamada de Bolsonaro, na Presidência da República. Com um recado claro: “você faz lá, tudo o que quiser; nós fazemos aqui, tudo o que quisermos.” E, como representante deles, elegeram Rodrigo Maia, que já possuía um histórico de divergência com Jair Bolsonaro, por conta de disputas eleitorais no Rio de Janeiro.

Em função desse quadro todo, quem está mandando na República, no dizer do senador paranaense Oriovisto Guimarães, é “o deputado de 74 mil votos”, referindo-se a Rodrigo Maia, pois, os projetos do Palácio do Planalto que chegam à Câmara dos Deputados tramitam, ao sabor de Rodrigo Maia, em perfeita sintonia com o pessoal aguerrido do Centrão.

Agora, mesmo, enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, fica falando na possibilidade de um imposto semelhante à antiga e extinta CPMF, Rodrigo Maia já havia que a idéia tem pouca adesão no Parlamento, sugerindo que haverá resistência a essa proposta, tida e havida como importante peça no projeto de Reforma Tributária, pelo próprio Paulo Guedes.

E, como grande aliada, tem a procuradora-geral da República que pede ao STF para arquivar denúncias de corrupção contra ele. Poderoso, portanto. Aliás, com direito de ser chamado de “Poderoso Chefão”.

 

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