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Na Comissão Mista, aumento do Fundo Partidário para R$ 3,7 bilhões já foi aprovado

Na quinta-feira da semana passada, a Comissão Mista do Congresso Nacional aprovou o parecer do deputado Cacá Leão, do PP da Bahia, da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2020, onde foi inserido um fantástico reajuste para o Fundo Partidário, que passou de R$ 1,7 bilhão para R$ 3,7 bilhões para as eleições do ano que vem. É a exibição da cultura política brasileira no trato com o dinheiro público. Acrescentar R$ 2 bilhões do dinheiro público para os partidos fazerem campanha eleitoral de prefeitos e vereadores é o descompromisso absoluto de deputados e senadores com a manifestação havida do eleitorado há menos de um ano, quando elegeu o candidato Jair Bolsonaro para presidente da República e mandou uma maioria de novos senadores e praticamente renovou a metade da Câmara dos Deputados, em cima do discurso do combate a corrupção e ao crime organizado. Dos parlamentares veteranos muito pouco pode se esperar, porquanto, acostumados com a velha política, esse reajuste abusivo para o Fundo Partidário é coisa de rotina para eles. Entretanto, vale o questionamento em relação aos novos parlamentares, mandados que foram para Brasília para mudar, para romper com a velha política, para inovar na direção da nova e boa política, notadamente, no respeito ao emprego do dinheiro público. Ouviu-se a voz do senador Oriovisto Guimarães, do Podermos aqui do Paraná, lançado na vida pública pelo senador Álvaro Dias, contra essa proposta do deputado Cacá Leão, mas parece ter ficado por aí. A própria sociedade, por seus mais variados segmentos organizados, parece nem ter tomado conhecimento dessa vergonha nacional, de financiar a campanha daqueles que, mentirosamente, se apresentam ao eleitorado dizendo que querem representar o povo para defender seus interesses. Defender seus interesses? É nessa dubiedade que reside toda a malandragem, pois, na dúvida se a referência de “seus interesses” está direcionada aos interesses do povo, esse entendimento vale apenas para a campanha eleitoral, porquanto, depois dela, surge a verdadeira explicação que a expressão “seus interesses” dizia respeito mesmo aos interesses dos candidatos, uma vez eleitos. Faz lembrar uma citação latina em que uma mãe foi consultar um oráculo para saber o destino do filho que estava partindo para a guerra. Aí, foi dito para a mãe aflita: “Ibis, redibis, non morieris in bello (Irás, voltarás, não morrerás na guerra)”. Liberta da dúvida e do desespero, a mãe, feliz, voltou para a casa. Só que o filho morreu na guerra. Aí, a mãe voltou ao oráculo para cobrar uma explicação. E o oráculo não teve dúvidas, dizendo que a mãe não havia escutado direito, e repetiu: “Ibis, redibis non, morieris in bello (Irás, não voltarás, morrerás na guerra)”. A vírgula no “redibis” e, depois, no “redibis non” fez toda a diferença. Assim, na campanha eleitoral, nossos candidatos proclamam: “Iremos, zelaremos, roubaremos não o dinheiro público”. Eleitos, reafirmam ao povo a proclamação da campanha: “Iremos, zelaremos não, roubaremos o dinheiro público”…

Em plena existência da Operação Lava Jato, deputados e senadores parecem querer dizer que “aqui, quem manda somos nós”, porque desmontaram o projeto de iniciativa popular, coordenado pelo Ministério Público Federal da Lava Jato, das dez medidas de combate a corrupção, como estão a desmontar, agora, o projeto anticrime do ministro Sérgio Moro. É que o corporativismo é muito forte entre deputados e senadores, eis que eles próprios deixam claro que não irão abrir os portões das penitenciárias para que Moro os leve para lá. Eis a grande razão de tamanha resistência. Mas, vale repetir: E os novos deputados e senadores onde estão? Já foram cooptados? Também estão incorporados a esse corporativismo criminoso?

Ibis, redibis non… iremos, zelaremos não… Eis a grande verdade!

 

 

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