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Na quarta, havia R$ 1 trilhão, na sexta-feira corte de R$ 100 bilhões. Hora de parar, mesmo

O deputado Rodrigo Maia, especialista no tamanho da gula do povo do Centrão, achou que ficaria mais barato encerrar o primeiro turno da votação da reforma da Previdência Social, nesta sexta-feira, ganhando tempo para o segundo turno de votação, que ficou marcado para o dia 6 de agosto. É que, na quarta-feira, com a aprovação do texto base da reforma, havia uma economia de R$ 1 trilhão, meta lançada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Entre idas e vindas, que começaram a descontentar o pessoal do Centrão, na votação dos destaques, especialmente no dia de ontem, houve uma baixa de R$ 100 bilhões na meta de Paulo Guedes, o que acendeu o sinal amarelo para o deputado Rodrigo Maia, que chegou a demonstrar preocupação se insistisse em manter a votação do segundo turno para ontem mesmo, ou para este sábado. Chegou a temer a possibilidade de uma derrota, em relação ao sucesso da aprovação da reforma no primeiro turno, na quarta-feira, com os festejados 379 votos.

E já transferiu a responsabilidade para o Palácio do Planalto, dizendo que “não ter governo articulado atrapalha muito”. Como a festejada vitória de quarta-feira não mereceu a necessária reciprocidade por parte do governo, na liberação das emendas parlamentares, não custa fazer essa avaliação, o pessoal do Centrão resolveu dar o troco, reduzindo, de pronto, a economia projetada pelo governo do trilhão para novecentos bilhões de reais. Como o jogo é bruto, especialmente em se tratando do governo de Jair Bolsonaro, vale considerar que, num primeiro momento, Rodrigo Maia conseguiu apaziguar os ânimos da tropa de choque do Centrão, numa espécie de pedido de voto de confiança, no que teria sido atendido, contabilizando, inclusive, os louros da vitória. Acontece que o esperado – e talvez prometido “day after” – não aconteceu. Em outras palavras, o dinheiro das emendas parlamentares não caiu na conta. Ainda que Bolsonaro tivesse, num primeiro momento, conseguido transformar o balcão de negócios de antes, com a entrega de ministérios de porteira fechada, por liberação de emendas parlamentares, legais e até obrigatórias, a falta de cumprimento com a palavra empenhada produziu a reação do insaciável grupo de parlamentares, que fez sua demonstração de força favorável, na quarta-feira, e de aviso, na sexta-feira. Conhecendo a “sua” gente e temendo pelo pior, o deputado Rodrigo Maia achou mais prudente encerrar o primeiro turno e deixar a votação do segundo turno, uma única sessão, para o dia 6 de agosto. Com isso, ganha tempo para voltar a articular a sua tropa de choque, ao mesmo tempo, em que dá tempo para o Palácio do Planalto honrar a parte que ficou de acertar nesse jogo da aprovação da reforma da Previdência Social. Só que o prejuízo dos cem bilhões de reais virou vaca morta. Ninguém mais mexe nisso.

E o problema maior, no que Rodrigo Maia tem razão em falar de falta de articulação, é que o próprio Palácio do Planalto tem culpa nesse prejuízo bilionário, eis que o presidente Jair Bolsonaro saiu em campanha pelo privilégio absurdo aos policiais federais, tudo por uma questão menor de mais dois anos trabalho, que não iria matar policial nenhum, especialmente, se for considerado que o benefício maior, da integralidade do valor da aposentadoria com o último vencimento da ativa, estava assegurado. Mas, diante da pressão, esse privilégio aos policiais abriu a porteira para a casa dos cem bilhões.

Que pode, de alguma forma, ter efeito na votação do Senado, pela mobilização de outras categorias dos servidores públicos federais, no embalo da inclusão de Estados e Municípios.

Se o Planalto não cumprir com a sua parte na combinação do negócio, Rodrigo Maia não terá como reagrupar a força dos 379 votos. E Jair Bolsonaro não poderá se queixar de eventual surpresa.

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