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Antes, o presidente entregava ministérios aos deputados; agora, libera emendas

 

A reforma da Previdência Social, no âmbito da Câmara dos Deputados, deve ser encerrada, nesta sexta-feira, com a votação em segundo turno, antes do início do recesso do meio do ano, conforme promessa feita pelo deputado Rodrigo Maia, presidente da Casa, e que sai como grande articulador desse feito necessário para o Brasil, e que teve o patrocínio do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Por oportuno e em meio a excessos de elogios a Rodrigo Maia, com gente já o colocando no patamar do falecido deputado Ulysses Guimarães, convém volver os olhares um pouco para o Palácio do Planalto, eis que, de repente, todo mérito da reforma da Previdência Social parece pertencer à Câmara dos Deputados e, em especial, ao seu presidente, o deputado Rodrigo Maia.

Desde o restabelecimento da democracia, em 85, com José Sarney na Presidência da República, por conta da morte de Tancredo Neves, até Michel Temer, no ano passado, passando por Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, toda a matéria importante a ser decidida pelo Parlamento, tinha negociações nada republicanas com o Palácio do Planalto, até o balcão de negócios elevou o seu preço e a negociação se dava por entrega de ministérios, de porteira fechada, o que conduziu o País ao absurdo de uma corrupção institucionalizada, que fez surgir a Operação Lava Jato e que já levou para a cadeia dois ex-presidentes, Lula, que continua preso, e Temer, recolhido já duas vezes, aguarda em liberdade a sentença que o devolverá a prisão.

Há que se prestar a atenção que o presidente Jair Bolsonaro pode ter todos os defeitos e cometer alguns excessos desnecessários, como anunciar que irá designar um ministro evangélico para o STF e que indicará um filho seu para a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, mas não é desonesto, corrupto, ladrão. Eis o que o diferencia de seus sucedidos, com a honrosa exceção de Itamar Franco, porquanto, não se recomenda que alguém coloque a mão no fogo, pelos demais, especialmente, pelo primeiro e os três últimos da “nova” República.

Acusado de estar liberando o pagamento de emendas parlamentares, agora, por ocasião da votação da reforma da Previdência Social, Bolsonaro disse que a liberação de emendas é legal e orçamentária, mas que ninguém viu malas sendo carregadas, de um lado para outro, nessa quadra das circunstâncias da votação da Previdência Social. E, vale dizer, é um patrimônio valioso esse do governo de Jair Bolsonaro de estar construindo a probidade administrativa, ainda que tenha aquele ministro do Turismo, que está exonerado por ser deputado para votar a Previdência, a destoar de todo o conjunto do governo. Parece até curiosa a expressão probidade administrativa, porquanto o corriqueiro no noticiário político, até o ano passado, pelo menos, era falar-se em IMprobidade administrativa. Mas, os críticos de Bolsonaro, com ênfase para o pessoal dos partidos de esquerda e a tal Grande Imprensa, com Rede Globo, Folha de S. Paulo, Estadão e Veja, à frente, passam ao largo de tal reconhecimento.

Então, enquanto no passado a negociação de voto se dava por troca de ministérios, agora, é por liberação de emendas. E liberação de emendas parlamentares, que hoje é obrigatória, eis que as emendas, por decisão do próprio Parlamento, se tornaram impositivas.

É preciso, pois, colocar essa questão num dos pratos da balança.

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