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Aprovação da Previdência produz nova configuração política na República

O presidente Jair Bolsonaro pode contabilizar, como feito seu, a nova configuração política que surge na República, com a aprovação da proposta de reforma da Previdência Social. Desde que entregou a mensagem ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em 20 de fevereiro, Bolsonaro passou a discursar que “a bola, agora, está com o Parlamento”, enfatizando que caberia aos deputados e, na sequência, aos senadores, a aprovação da reforma da Previdência Social, melhorada ou não, e que não exerceria nenhum tipo de interferência, o que, ao final, acabou não se confirmando. Entretanto, manteve o discurso de que “a bola está com o Parlamento”. E de tanto dizer isso, eis que o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, em determinado momento, resolveu “pegar” essa bola e dar-lhe o trato devido, que, como demonstrado agora, acabou no fundo da rede, com um belo gol do deputado de 74 mil votos, que conseguiu 379 votos, contra 131 da oposição. Aliás, a oposição, não apenas se revelou sem força, como se expôs como um grupo bastante oneroso à sociedade, pela sua declarada inutilidade, até pela descompostura comportamental, ao longo de todo esse primeiro semestre do ano.

Entre trocas de palavras, mais ou menos ásperas, entre Bolsonaro e Maia, no início do processo de apreciação da proposta previdenciária, do meio do jogo em diante, Rodrigo Maia resolveu assumir o comando da reforma da Previdência Social e tornou esse compromisso público, desfigurando o papel do Palácio do Planalto em qualquer etapa das negociações. Com isso, passou a se processar uma nova configuração de força política em Brasília, com a Câmara dos Deputados se transfigurando de balcão de negócios em fortaleza política.

E o próprio deputado Rodrigo Maia, ao discursar ontem, disse que a solução dos problemas do Brasil passa pela Câmara dos Deputados, indo mais além ao destacar que investidores desejam ver uma democracia estabilizada, em que as instituições sejam respeitadas, fazendo referência a críticas ao Parlamento e ao STF.

Neste ponto específico da crítica ao Parlamento, o deputado Rodrigo Maia precisa fazer uma reflexão, passado o momento de emoção que o levou às lágrimas. Rodrigo Maia, por exemplo, precisa reconhecer que a Câmara dos Deputados sempre foi um grande balcão de negócios, com destaque para a atuação das forças partidárias que formam o Centrão. Essa realidade, entretanto, teve dificuldades de sobrevivência no governo de Jair Bolsonaro, o que explica os desencontros havidos, com o Palácio do Planalto se mantendo firme em não abrir mão do compromisso assumido em praça pública de não tolerar o balcão de negócios, trocando voto por cargo. E foi essa determinação que levou o presidente Jair Bolsonaro, já em fevereiro mesmo, dizer que “a bola, agora, está com o Parlamento”.

Convencido do tamanho da responsabilidade do Parlamento, o deputado Rodrigo Maia tomou a iniciativa de assumir o comando do processo, com o que soube mostrar força política dentro do Parlamento e exibir prestígio, fora dele. Com isso, ele próprio está a resgatar o papel do Parlamento, de modo que as críticas ao velho sistema do balcão de negócios possam, agora, se transformar em respeito. Por conseguinte, não tem que acusar o Palácio do Planalto quanto às críticas ao Parlamento, que sempre foram merecidas, pela evidência do funcionamento do balcão de negócios. E se o deputado Rodrigo Maia se mantiver, daqui para a frente, no comando das novas reformas, pensando no Brasil e não apenas nos interesses do Centrão, estará prestando indiscutível contribuição para que o Parlamento possa, mais à frente, merecer aplausos da população, em praça pública.

No STF, ainda não surgiu nenhum Rodrigo Maia. E respeito não se pede; conquista-se.

Um comentário em “Aprovação da Previdência produz nova configuração política na República

  • julho 11, 2019 em 11:57
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    Parabéns pelo brilhante comentário. Precisamos que esse gesto se multiplique no STF.Abraços

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