fbpx

A reforma da Previdência serve para evidenciar a inutilidade da oposição

A democracia viceja entre situação e oposição políticas, no consagrado direito de manifestação própria. Entretanto, essa conceituação prevê equilíbrio entre as partes, racionalidade nos posicionamentos, prudência nas decisões. A representação popular, que é a alma do regime democrático, também sugere a presença de pessoas preparadas, inteligentes e comprometidas com o bem-estar dos representados. Mais, a sociedade, a representada, tem a expectativa de que as deliberações tomadas pelos representantes seja a garantia da consulta aos interesses da maioria, no jogo honesto e verdadeiro da supremacia do bem-estar da população. E que as instituições, que agasalham as personalidades que possuem a prerrogativa da representação popular e o dever de assegurar o funcionamento do Estado, sejam compostas por figuras capazes de dignificar o consagrado direito de representar uma parcela do povo e de compor o conjunto das figuras representativas da República, ou do Reino, na salvaguarda dos anseios, carências e necessidades do povo e do Estado, ainda que isso tudo se aproxime de uma redundância, o que não desfigura a responsabilidade do proceder de ditas figuras.

Se tomarmos por base o que temos assistido, nestes primeiros seis meses do ano, vamos nos defrontar com uma realidade distante da verdade do Estado que imaginamos, notadamente, pelas atitudes parlamentares no Congresso Nacional, que guardam uma certa proporção do verificado no Supremo Tribunal Federal, onde, perigosamente, reside um estado de insegurança jurídica, que promete, a qualquer momento, criar uma situação de inquietação social no País. Quer dizer, estamos distantes de uma democracia madura, criteriosa e conseqüente.

Ainda bem que, neste exato momento da vida nacional, dos três poderes da República, o que menos preocupa e compromete o interesse nacional é o Executivo, que, sem lhe cobrar perfeição, pela própria razão da impossibilidade de ser de tal condição, é forçoso reconhecer a existência de um esforço por mudanças importantes, necessárias e muito próximas de uma realidade mais justa, com ênfase, no compromisso de combater a imoralidade do assalto ao dinheiro público e a prevalência do que se convencionou denominar de crime organizado, que assalta, que mata, que agride e desfaz a dignidade humana e desconsidera a grandeza da organização do Estado. Há que se reconhecer essa decisão, essa coragem, essa determinação, não muito comum em nossa história republicana, o que não deve ser confundida com alguma quimera de santificação. Nada disso. Quando muito, o reconhecimento de que o ser humano é uma figura inteligente. Se temos a inteligência na depreciação do patrimônio público e na selvageria da violência e na agressão à vida, parece razoável reconhecer que a inteligência também possa estar a serviço do Bem.

A oposição política se esforça para demonstrar que é um ônus pesado para a sociedade nacional, eis que, do que tem sido exibido nas casas legislativas, em especial, do Congresso Nacional, não se constata nenhum sinal em favor da construção, da correção de rumo, de algum aprimoramento. A crítica raivosa, odienta, inconseqüente tem sido a marca da oposição política no Brasil. O que configura, vale repetir, um ônus considerável para a sociedade.

Estamos na expectativa da conclusão da apreciação de uma proposta de reforma do Sistema Previdenciário, pelo esgotamento criminoso do modelo vigente. E vale a indagação: Qual tem sido a contribuição da oposição para a melhoria da proposta feita pelo governo? Nos debates, em torno do assunto, qual o nível das intervenções dos parlamentares de oposição? É esse o tipo de oposição que ajuda a nossa, de certa forma, incipiente democracia?

Esperemos que a reforma da Previdência Social seja aprovada, no estilo melhor possível, do interesse nacional, a despeito da oposição que temos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *