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Bolsonaro precisa organizar o governo, pois, não bastam as boas intenções

O presidente Jair Bolsonaro já está no Palácio do Planalto há 160 dias, completados hoje. Tempo suficiente para saber que não pode criar uma empresa de construção civil, sem ter um engenheiro civil, uma empresa de aviação civil, sem ter pilotos, uma empresa de comunicação social, sem ter jornalistas. Ou seja, não pode compor uma equipe de governo, sem especialistas no jogo político, mormente, em se tratando de circunstâncias especialíssimas, eis que se elegeu com compromissos extraordinários de combater a corrupção e o crime organizado, enraizados que se encontram no seio da classe política. Significa que não mediu, necessariamente, a resistência que enfrentaria, como está a enfrentar. Pensou que a grande maioria dos deputados e senadores pensava como ele, e que todas suas propostas de mudança teriam amplo apoio no Congresso Nacional. Mesmo tendo pertencido ao Congresso, por quase trinta anos, parece não ter sido suficiente para conhecer cada metro quadrado das casas legislativas, onde atuam os parlamentares do Brasil, onde se processam as grandes negociatas, que traem e prejudicam o País.

Jair Bolsonaro entregou a chefia da Casa Civil a um amigo parlamentar, Onix Lorenzoni, até como gratidão por ser um apoiador de primeira hora de sua campanha presidencial. Como a Casa Civil é o centro nervoso da organização política do governo, Onix não foi a melhor escolha, eis que nunca foi líder na Câmara dos Deputados, nunca teve destaque especial no jogo permanente das negociações políticas da Casa, sendo um parlamentar comum, tanto quanto ele próprio. Mas, como se elegeu presidente da República, deve ter imaginado que qualquer deputado poderia ser o seu negociador político, garantindo ao governo uma base de sustentação política, que lhe assegurasse tranqüilidade para governar. Não aconteceu, e o governo tem tido sérias dificuldades e já experimentado derrotas importantes, enfrentando uma portentosa resistência do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que não se contenta com o fato de Jair Bolsonaro ter rifado a participação da classe política na composição de seu governo, a começar pelo fato de ele próprio ter perdido o poder que tinha.

O deputado Onix Lorenzoni está no lugar errado, com uma missão que vai muito além de sua capacidade parlamentar. O presidente Jair Bolsonaro deveria, à esta altura dos acontecimentos, transferir Lorezoni para o Ministério do Turismo, aproveitando o fato de o atual ministro, Marcelo Álvaro Antônio, estar com sérias acusações de ter cometido crimes eleitorais, na sua reeleição de deputado federal, por Minas Gerais. Com isso, preservaria o amigo em sua equipe de governo e buscaria um nome mais apropriado para a Casa Civil, que, a rigor, nem precisa ser um parlamentar. E Bolsonaro tem esse nome, entre os generais de seu governo.

E o perfil apropriado para o comando da Casa Civil está na figura do general Augusto Heleno, um profissional que exibe virtudes de boa formação moral e intelectual, que lhe conferem credibilidade e que se constitui em membro importante da equipe do governo. O general Augusto Heleno faz lembrar muito a figura do general Golbery do Couto e Civil, chefe da Casa Civil do ex-presidente Ernesto Geisel, que foi o principal fiador na costura da passagem pacífica do regime militar para o regime civil, sendo o auxiliar presidencial de maior credibilidade junto a classe política de então.

O general Heleno exibe perfil muito parecido com o do general Golbery, podendo, assim, preencher esse vistoso vazio de incompetência política do governo, que faz com o presidente Jair Bolsonaro tenha virado refém daquele deputado de 74 mil votos do Rio de Janeiro, que preside a Câmara dos Deputados.

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