fbpx

A Câmara dos Deputados virou matriz da chantagem política contra Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro falou em Buenos Aires sobre a possibilidade de uma moeda única, entre Brasil e Argentina, e, de pronto, o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, já retrucou em sua conta no twiter. Maia não tem qualquer deferência pela figura do presidente Jair Bolsonaro, estando a tratá-lo como um adversário menor, pouco se importando com as conseqüências dessa desconsideração para com seu adversário político do Rio de Janeiro. Até parece que Rodrigo Maia não aceita, até agora, a idéia de que seu pai, César Maia, tenha perdido a eleição para o Senado, para o filho de Bolsonaro.

O protagonismo da Câmara dos Deputados para com o presidente da República começa com o fim do regime militar e a transição para o poder civil. Se vivo e empossado, Tancredo Neves teria condições de se impor perante o Parlamento, por conta de seu invejável capital político. Nunca foi arrogante, mas sempre foi muito astuto. Tanto sabia negociar, que, mesmo sendo oposição ao regime, soube construir sua candidatura ao Palácio do Planalto, com a simpatia dos militares. Entretanto, a morte de Tancredo, antes da posse, fez com que o deputado Ulysses Guimarães, presidente da Câmara Federal, se sobrepusesse, de pronto, perante um político que lhe era subalterno, o então vice-presidente da República, José Sarney, antigo adversário da Arena que, dadas as circunstâncias para a composição da chapa para vencer a eleição no Colégio Eleitoral, teve de se desprender do regime militar e se filiar ao MDB, para ser vice de Tancredo.

Num clássico e solene golpe de Estado, o vice José Sarney assumiu a Presidência da República por imposição do deputado Ulysses Guimarães, que pouco lhe importava o fato de Tancredo, sequer, ter tomado posse na Presidência da República. Pela “Constituição Cidadã”, que Ulysses comandou sua escrita, ele assumiria a Presidência da República e convocaria nova eleição, no Colégio Eleitoral. Mas, como havia perigo para impor uma nova derrota ao deputado Paulo Maluf, Ulysses preferiu instalar Sarney na cadeira presidencial no Palácio do Planalto, convencido de que, na prática, quem governaria seria ele próprio, como efetivamente foi. Criado o Plano Cruzado, Ulysses não permitiu que Sarney fizesse os ajustes necessários, porque era ano eleitoral, 1986, e o MDB precisava vencer as eleições, como, de fato, venceu. Só que, no dia seguinte ao da proclamação dos resultados eleitorais, a barragem do Plano Cruzado se rompeu e, ao contrário das tragédias de Minas Gerais, produziu uma tragédia nacional, que abriu caminho para o princípio de uma crise econômica e social, sem precedentes.

A partir do exemplo de Ulysses Guimarães, a Câmara dos Deputados nunca mais deixou de influenciar o presidente da República e reivindicar o direito de dividir parte do poder do presidente da República, enquanto chefe de governo. Em meio a isso, a corrupção se apropriou do poder político, com ênfase especial, ao longo dos treze anos do PT no poder.

Hoje, o Brasil elegeu um presidente que se comprometeu em combater a corrupção e o crime organizado e promover as reformas necessárias para a superação das enormes dificuldades para uma retomada do crescimento, em meio a um afastamento dos vermes da desonestidade e da improbidade administrativa, no âmbito do Palácio do Planalto.

O presidente Jair Bolsonaro tem se empenhado fazer a sua parte, exatamente no que se comprometeu com a sociedade nacional em praça pública, mas tem enfrentado a resistência da Câmara dos Deputados, que não vê mérito algum nas reformas promovidas pelo governo de Bolsonaro.

O governo já deveria ter se contraposto a Rodrigo Maia. Mas, sem habilidade para tanto, acabou virando refém do deputado de 74 mil votos, que está tomando conta de Brasília. E do governo, em especial.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *