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Nosso Congresso Nacional, de há muito, se despiu do patriotismo

A reforma da Previdência Social, que se encaminha para a votação do relatório na Comissão Especial, até o final da próxima semana, vai exibir as primeiras reações contra o fim dos privilégios, notadamente, na categoria dos servidores públicos. Acontece que os parlamentares brasileiros, em seu conjunto, de há muito, perderam a essência da qualificação da representação popular, despindo-se do sentimento de patriotismo, para abrir espaço para uma lastimada inversão de valores, que patrocinou o surgimento e, em especial, o enraizamento da corrupção no seio da classe política nacional. Se a corrupção não chega a se constituir em novidade, porquanto um dos maiores escândalos de assalto ao dinheiro público sempre foi mantido distante das manchetes dos jornais e imune a qualquer investigação dos órgãos encarregados de tanto, que foi a construção de Brasília, pode-se afirmar que, ao menos, havia algum pudor e a desonestidade não caracterizava o conjunto da representação popular, como hoje se verifica. Hoje, por exemplo, não existe mais pudor. A corrupção é praticada à luz do dia.

Ao tempo do PT no Palácio do Planalto, o senador Álvaro Dias sempre acusou o partido de banalizar a corrupção, tal a ênfase que a prática da desonestidade se deu nos treze anos em que o referido partido se manteve no poder. E o desonesto se desveste de virtudes e se atira no abismo da imoralidade, em plena luz do dia. Mesmo sob o império da Operação Lava Jato, que é um grande instrumento de tentativa de resgate da honra e da moral na administração pública brasileira, há claros sinais de tentativas seguidas de enfraquecer o seu trabalho. E a própria sociedade, tão ciosa dos valores tradicionais da honra e da dignidade, se permitiu ao afrouxamento de tais singularidades, ao ponto de considerar o ladrão do dinheiro público como um cidadão comum, sem o imaginado ar de condenação. Temos um ex-presidente condenado e preso, que é Lula, e um outro ex-presidente, preso duas vezes, e liberado da cadeia por tribunais superiores, que é Michel Temer, com partidários que proclamam suas inocências, com a maior naturalidade, pouco se importando com a força de todas as evidências da gravidade dos crimes cometidos.

E o Congresso Nacional agasalha dezenas de políticos ligados aos dois ex-presidentes, que forçam posicionamentos que possam ser favoráveis a eles. Situação semelhante se identifica, perigosamente, no Supremo Tribunal Federal, com um grupo de ministros que não se constrange em atrelar posições que possam, de alguma forma, beneficiar os dois ex-presidentes e, assim, partidários outros.

É com esse perfil da representação popular, portanto, que será votada a reforma da Previdência Social, que é vista como a mãe de todas as reformas necessárias, de modo que possa o governo avançar por outras reformas no encaminhamento da recuperação econômica do País, encalacrado na maior crise de sua história, por conta, justamente, do descalabro moral que tomou conta de toda a administração pública do País, em seus três níveis de governo.

Enquanto o governo do presidente Jair Bolsonaro tem, a seu favor, o fato de ter tido a coragem e a determinação política em elaborar projetos de reformas profundas, de outro lado, temos o Congresso Nacional, especialmente, a Câmara dos Deputados, com um viés que não se ajusta a ânsia nacional do restabelecimento da probidade na vida pública do Brasil.

E essa preocupação vai estar presente, agora nos próximos dias, com o encaminhamento para votação, no Plenário da Câmara dos Deputados, da reforma da Previdência Social.

Só haverá surpresa, se os parlamentares comprometidos com a desonestidade e o corporativismo dos privilégios forem vencidos, e o Brasil ganhar uma nova Previdência Social, que revele uma face próxima de uma desejada justiça social.

Fora disso, tudo o que acontecer de pior estará na normalidade da ação dos comprometidos com a corrupção e com o crime organizado no Brasil.

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