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Anúncio de Bolsonaro de nomear Moro para o STF em nada ajuda o ministro da Justiça

Se a primeira vaga a ser aberta no STF, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello em novembro do ano que vem, tem um ano e sete meses pela frente, o presidente Jair Bolsonaro deveria ter evitado a precipitação do anúncio da indicação do ministro Sérgio Moro, eis que a fala de ontem, num programa de rádio, do animador Milton Neves, em nada ajuda o governo. Mais, num instante em que a Câmara dos Deputados acirra posições de esvaziar poder do ministro da Justiça, com a retirada do Coaf do Ministério da Justiça para devolvê-lo ao Ministério da Economia, parece claro que se organizam, no âmbito do Congresso Nacional, forças de resistência a Sérgio Moro, tido e havido como inimigo da classe política, por conta do trabalho que desenvolveu como juiz de Primeira Instância da Operação Lava Jato. Basta ver a relação dos deputados que votaram pela retirada do Coaf do Ministério da Justiça para se saber do envolvimento da maioria deles na própria Operação Lava Jato. E vale considerar que, na terça-feira que precedeu a votação da Comissão Especial da Reforma Administrativa, na quinta-feira, o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, reuniu as lideranças do Centrão em sua residência para tratar, justamente, da retirada do Coaf das mãos de Moro. É que Rodrigo Maia já teve seu “santo nome” pronunciado na Lava Jato, como o seu pai, o vereador César Maia, do Rio de Janeiro.

Pelo que se tem visto, até aqui, todo o final de semana o presidente Jair Bolsonaro cria um fato, com mensagens pelas redes sociais. Agora, neste domingo, inovou, falando a um programa de rádio. Aliás, essas entrevistas que Bolsonaro tem dado a apresentadores de televisão e, agora, de rádio são interessantes, por aproximar o Presidente da população, desde que a fala se concentre nas ações do governo, a partir das propostas havidas na campanha eleitoral. Fora disso, como o anúncio da indicação do ministro Sérgio Moro para o STF, com tanta antecedência, não ajuda em nada. E pode mais complicar, do que ajudar. Já surgiu, por exemplo, a notícia de uma mobilização de parlamentares, na Câmara Federal, para incluir, no projeto da reforma da Previdência Social, uma emenda, passando de 75 para 80, a idade limite para aposentadoria de ministro do STF. Tudo por conta do clima de indisposição com Sérgio Moro.

É preciso reconhecer que esse clima de indisposição com Sérgio Moro, tanto na Câmara dos Deputados, quanto no Senado da República, é fruto das ações de Sérgio Moro como juiz da Primeira Vara Federal de Curitiba da Operação Lava Jato, que tem desnudado boa parte da classe política, por envolvimento em corrupção. Além de Lula e Temer, ex-presidentes da República, há ex-deputados e ex-senadores na prisão, e muitos deputados e senadores com acusações de envolvimento com corrupção. E boa parte desse povo está na ativa, no exercício de seus mandatos, com poderes nas mãos, utilizados agora para, num claro gesto de vingança, acertar contas com o antigo algoz.

Enquanto Sérgio Moro tem o respeito da sociedade brasileira, os criminosos da classe política insistem em se defender, em fazer valer o poder que têm, porque querem continuar usufruindo do poder para se beneficiar, como sempre aconteceu. E essa realidade explica as reações contrárias ao presidente Jair Bolsonaro, que se elegeu em cima do compromisso de combater a corrupção e o crime organizado, e de Sérgio Moro, que virou o símbolo nacional dessa cruzada da moralidade pública.

Os criminosos da corrupção querem continuar criminosos da corrupção. E no que puderem, vão resistir a todas as investidas. Até mesmo a indicação precoce de Sérgio Moro para ministro do STF.

Alguém, da inteligência do Palácio do Planalto, precisa vigiar o presidente Jair Bolsonaro, nos finais de semana. Ele vira oposição de seu governo.

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