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Tem muito ladrão, corrupto, na classe política. Mas tem gente séria, também

O presidente Jair Bolsonaro foi deputado federal, por sete legislaturas, ou vinte e oitos anos, tempo suficiente para conhecer todo o funcionamento da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, bem como, saber distinguir “quem é quem” na classe política que se encontra instalada no Congresso Nacional. Sabe ele que Lula não mentiu quando disse que “no Congresso Nacional, há 300 picaretas”. E isso foi dito há mais de vinte anos. Porém, como há “300 picaretas”, há também 300 parlamentares sérios, que merecem respeito, como foi o caso do próprio Jair Bolsonaro, que pode ter cometido os maiores desatinos no falar, como dizer, por exemplo, que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada e prestar homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, mas, de outro lado, nunca foi citado em ato que pudesse arranhar a sua honorabilidade, como homem público. Aliás, no processo de julgamento do Mensalão, foi o único parlamentar a merecer um elogio do austero e rigoroso ministro Joaquim Barbosa, relator de todo aquele processo, num caso envolvendo a sempre sedente bancada do PP quando disse que “o deputado Jair Bolsonaro foi o único que não aceitou” qualquer vantagem.

Por conseguinte, o governo do presidente Jair Bolsonaro pode se manter firme em não negociar apoio por voto, permitindo que os “300 picaretas” continuem nomeando ministros, como sempre fizeram, desde a redemocratização, mas seria desejável que se empenhasse para constituir uma bancada comprometida no apoio ao seu governo, a partir dos outros 300 parlamentares, que honram e dignificam o Congresso Nacional. O episódio de ontem, em que não foi possível votar o projeto da reforma da Previdência Social, por imposição dos partidos do Centrão, como o velho e insaciável PP, o PR, Solidariedade, PSD, PTB e outros de menor expressão, que exigem alterações no projeto, somente para forçar uma negociação que contemple alguns de seus interesses, pouco se importando como a natureza do papel da Comissão de Constituição e Justiça, que aprecia tão e somente a constitucionalidade e a legalidade da matéria, não competindo entrar no mérito da questão, evidencia a necessidade de o governo ter uma força própria para se contrapor aos ataques dos que pertencem ao grupo dos “300 picaretas”, qualificado por Lula.

Agora mesmo, na mudança havida no Ministério da Educação, bem que o Palácio do Planalto poderia ter ido buscar um parlamentar, do outro bloco dos 300, para ser ministro da Educação, sem qualquer desmerecimento ao escolhido, o professor Abraham Weintraub. Da bancada dos três senadores do Paraná, por exemplo, há dois grandes nomes que poderiam comandar o Ministério da Educação, os senadores Flávio Arns e Oriovisto Guimarães, este, inclusive, fundador de um dos grandes conglomerados da Educação no Brasil, o Grupo Positivo.

O grupo, que representa a velha política, tem voto e tem força. Na medida que o Palácio do Planalto não tem sabido negociar – e aqui, com pudor e civismo – com deputados e senadores que dignificam a representação popular, o pessoal da velha política se impõe, na cara dura, pela chantagem, ou suas reivindicações, ou parte delas, são atendidas, ou não tem voto. Como o governo precisa de voto, vai acabar sucumbido, como já aconteceu nesta quarta-feira, em que o presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini, se viu na obrigação de encerrar a sessão, convocando outra, para terça-feira, para votar o relatório do projeto da Reforma da Previdência. Que pode, inclusive, sofrer alterações, por conta das imposições colocadas sobre a mesa pelo pessoal do Centrão.

O Brasil não pode ficar refém desse povo do Centrão. Mas, para tanto, o Palácio do Planalto precisa fazer a parte que lhe compete.

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