fbpx

Que força tem esse ministro do Turismo que não é mandado embora?

Em fevereiro, foi noticiado um escândalo de candidaturas laranjas de mulheres no PSL de Pernambuco e de Minas Gerais. O caso de Pernambuco evoluiu, rapidamente, e atingiu o então ministro da Secretaria de Governo, Gustavo Bebiano, pelo fato de, durante a campanha eleitoral, ter assumido o comando nacional do PSL. Bebiano acabou derivando para desentendimentos pessoais com o presidente Jair Bolsonaro e seu filho, vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, a ponto de o ministro ter acumulado um desgaste que provocou sua exoneração do cargo.

Ao mesmo tempo, esse assunto foi dominante em Minas Gerais também, onde o partido é presidido pelo deputado federal Marcelo Alencar Atônio, nomeado ministro do Turismo. Interessante, que a denúncia sobre as candidaturas laranjas de Minas Gerais não ganhou a intensidade do fato havido em Pernambuco, e o deputado continua ministro, parecendo ter padrinho forte, eis que, num governo que prioriza o combate a corrupção e ao crime organizado, não faz sentido um ministro suspeito de envolvimento em denúncias de corrupção ainda se manter no cargo. É a velha história da mulher de César, imperador romano: “À mulher de César não basta ser honesta; precisa parecer honesta”. E o ministro Marcelo Álvaro Antônio já não parece honesto, desde o mês de fevereiro, época da revelação de ter comandado um processo de corrupção com candidaturas laranjas de mulheres. Uma delas, que fez a denunciou, se mudou para Portugal, inclusive, alegando razões de preservação da própria vida.

Eis que, agora, uma deputada federal das mesmas Minas Gerais e do mesmo partido do ministro denunciado, Alê Silva, diz ter sido ameaçada de morte pelo ministro Marcelo Álvaro Antônio, pelo fato de estar insistindo em investigar as tais candidaturas laranjas. Segundo a deputada, uma pessoa que estava na tal reunião em que houve a citada ameaça de morte, foi à sua cidade, Coronel Fabriciano, na região do Vale do Aço, distante mais de duzentos quilômetros de Belo Horizonte, para lhe relatar, pessoalmente, o ocorrido. Das quatro mulheres, que já se apresentaram como laranjas do ministro Marcelo Álvaro Antônio, duas são da região da deputada Alê Silva. Pela gravidade da notícia que lhe chegou, a deputada tomou a iniciativa de prestar um depoimento à Polícia Federal, pedindo segurança de vida. E o tema ganhou repercussão nacional.

Em solidariedade a deputada mineira, já se pronunciaram as duas mulheres campeãs de voto no PSL, a estadual paulista, Janaína Paschoal, com mais de dois milhões de votos, pediu a imediata exoneração do ministro do Turismo, o que foi reafirmado pela deputada federal Joice Hasselmann, mais de um milhão de votos.

 

 

O que chama a atenção é o pouco caso do Palácio do Planalto para esse episódio, que está assumindo gravidade maior do que o caso do ex-ministro Gustavo Bebiano, parecendo que Marcelo Álvaro Antônio é um personagem forte no governo, com costas quentes, tendo apadrinhamento importante no próprio Planalto, pois, em caso contrário, não há como se aceitar que se mantenha no alto posto de ministro, desgastando e comprometendo a imagem de um governo, comprometido com a ética e com a moralidade pública.

Considerando a denúncia da ex-candidata que se mudou para Portugal, para preservar a vida, chega-se a conclusão que a denúncia da deputada Alê Silva não é a primeira, então. E o Palácio do Planalto diz que é preciso aguardar, ainda, para ver se a deputada vai confirmar a denúncia que fez à Polícia Federal. De repente, Marcelo Álvaro Antônio pode saber coisas que não interessam ser divulgadas, o que explicaria a sua permanência no cargo de ministro. Se uma suspeita dessa se confirmar, o risco seria mais do Brasil, do que do próprio governo, pelas previsíveis consequências.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *