fbpx

Gilmar Mendes chamou procuradores de “cretinos”, e Kajuru o chamou de “canalha”

O ministro Gilmar Mendes, tanto tem feito, que conseguiu ser o centro de um universo de encrenca, a figura central de um risco de colisão entre o  Supremo Tribunal Federal e o Senado, o grande motivador para a aprovação da CPI da Lava Toga, que tem o fundamento de investigar membros dos tribunais superiores. E, por membros dos tribunais superiores, entenda-se Gilmar Mendes, em primeiríssimo lugar. É que o ministro conseguiu se tornar o centro de todas as atenções, de todas as atenções que reprovam o seu proceder e, por conta disso, o próprio STF, que nunca esteve em situação tão delicada perante a sociedade, como se encontra nos dias de hoje. É que o STF, pela ação de alguns de seus ministros militantes ideológicos, deixou de ser um dos três poderes da República para parecer ser o principal poder da República, com ascendência sobre os outros dois, o Executivo e o Legislativo. Com Gilmar Mendes à frente.

Na sessão de quinta-feira, a fatídica sessão que colocou freio na corrida da Operação Lava Jato contra a corrupção e o crime organizado, o ministro Gilmar Mendes no seu peculiar vocabulário ofensivo e disposto a um desabafo para cima de procuradores federais da Lava Jato, chamou-os de “cretinos”, “gentalha”, “despreparada”, sem condições de integrar o Ministério Público Federal. Foi um momento de desconforto para o Plenário do próprio STF e um motivo a mais para o repúdio da sociedade , que não concorda com a decisão do STF em ter procurado dificultar o trabalho da Lava Jato, quando a Lava Jato tem o prestígio que o STF não tem, o respeito da sociedade que o STF não tem.

No domingo, em Goiânia, numa manifestação popular contra o STF – “STF sai, Lava Jato fica” -, o senador Jorge Kajuru, num pronunciamento acalorado, se dirigiu, diretamente, ao ministro Gilmar Mendes, fazendo-lhe a indagação sobre onde conseguiu acumular um patrimônio de R$ 20 milhões. “Ganhou na megasena, uma herança?”, partindo para uma acusação direta: “É dinheiro das sentenças que você vende, seu canalha”.

Diante da elevação do tom da crítica e da acusação do senador goiano, o ministro Gilmar Mendes se dirigiu ao presidente do STF, ministro Dias Toffoli, pedindo para que ele tomasse as “providências cabíveis” ao caso, o que provocou enérgicas reações de senadores, em solidariedade ao colega Jorge Kajuru e de duras críticas a Gilmar Mendes. O próprio presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, também se solidarizou com Kajuru e disse que não vai permitir que nenhum outro poder interfira na independência do Senado Federal, fazendo um apelo ao STF para respeitar o Senado.

Nesse clima, vários senadores apoiaram, não apenas a instalação da CPI da Lava Toga, como pediram ao presidente Davi Alcolumbre para aceitar o pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes, protocolado no Senado pelo jurista Modesto Carvalhosa.

Enquanto o senador Jorge Kajuru, de primeiro mandato, ganhou a solidariedade de boa parte do Senado, o ministro Gilmar Mendes conquistou o repúdio dessa mesma boa parte, e que deu claras demonstrações de ver instalada a CPI da Lava Toga para investigar, não o STF, como enfatizou o autor do pedido da CPI, senador Alessando Vieira, mas integrantes dos tribunais superiores que não procedem com a dignidade do cargo. Como disse o senador Kajuru, primeiro, a CPI vai investigar Gilmar Mendes, “depois, os Lewandowskis da vida”.

Estabelecido o tensionamento nas relações do Senado com o Supremo Tribunal Federal, ganha força o pedido de instalação da CPI, eis que os senadores que defendem essa investigação dão mostras evidentes de que não aceitarão um recuo, que possa significar uma vitória do ministro Gilmar Mendes, que virou o alvo preferencial do acerto de contas.

Aliás, Gilmar Mendes virou um consenso nacional para ser retirado do STF, de modo a oxigenar a Suprema Corte. E o presidente do Senado, de repente, vai ter de atender ao apelo dos senadores, porque preside a casa dos senadores, depende do apoio dos senadores e foi eleito presidente pelos senadores. Gilmar Mendes, portanto, está sem cotação no mercado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *