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O ministro do Turismo não se aguenta mais. E o governo assiste a sangria

O ministro Marcelo Álvaro Antonio, do Turismo, não se aguenta mais no cargo, por conta da série de denúncias contra ele, em relação a candidaturas de mulheres em Minas Gerais. Que uma invente, que uma segunda distorça, que uma terceira fique em dúvida, vá lá. Mas, a situação é muito mais séria, porque envolve um número maior, com todas falando a mesma linguagem em torno do convite ao cometimento de fraude, receber dinheiro do Fundo Partidário e, em seguida, repassar setenta, oitenta por cento para a campanha de Marcelo Antonio à reeleição à Câmara Federal. Ele próprio deve estar cansado em emitir nota oficial negando tudo. Interessante que ele é filiado ao PSL, e guarda muita semelhança com o proceder de filiados do PT que negam tudo, diante de todas as evidências. Mas, os petistas têm Lula como mestre; e Marcelo Antônio segue quem?

De princípio, já deveria ter sido demitido na primeira leva das três mulheres que fizeram as primeiras denúncias, concomitantemente, com o episódio de Pernambuco, que fez rolar a cabeça do ministro Gustavo Bebiano, da Secretaria-Geral da Presidência da República.

A impressão que se tem é que o Palácio do Planalto resolveu assistir, de braços cruzados, a sangria do ministro do Turismo, até que derrame a última gota de sangue, e, aí, semi-morto tenha que pedir para sair, inteiramente desmoralizado. Como Marcelo Antonio não tem gabinete no Palácio do Planalto e o Ministério do Turismo não guarda semelhança com nenhum ministério que tenha gabinete no Palácio do Planalto, nem se iguale em importância e representatividade a um Ministério da Economia ou a um Ministério da Justiça, que fique ao relento, se esvaindo em moral e dignidade pessoal.

Outra explicação não há, eis que, num governo comprometido em combater a corrupção e o crime organizado, não faz o menor sentido manter um ministro que, à luz da razão, não tem predicado algum para permanecer ostentando a condição de ministro de Estado. Até porque não é nenhuma liderança política de expressão, nenhum nome influente no Congresso Nacional, nenhuma autoridade reconhecida na própria área do Ministério que comanda. Ainda que tenha sido o deputado federal mais votado em Minas, não tem reconhecimento público, nem consagração popular que o eleve à condição de figura representativa da política mineira.

Ainda que possa haver uma dose de maldade no consentimento de sua sangria pública, o governo já deveria ter se livrado desse problema, até mesmo por se tratar de questão menor. Especialmente, depois de ter enfrentado e resolvido o que parecia ser uma questão mais relevante e delicada, que era a demissão de Gustavo Bebiano. Ninguém mais fala nele, ninguém mais lembra dele. Pertence ao passado.

É verdade que o presidente está empenhado com o caminhar do projeto da reforma da Previdência Social, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Basta dizer ao ministro-chefe da Casa Civil que transmita a decisão do presidente da República em exonerar o ministro do Turismo. Simples assim, sem muita formalidade.

A permanência de Marcelo Antonio mais prejudica do que ajuda o governo. Aliás, ajudar, não ajuda, rigorosamente, em nada. Se não tivesse aparecido mais ninguém para denunciar, seria até possível deixar que Marcelo Antonio continuasse ministro. Entretanto, a situação não é essa, porque ainda ontem teve mais uma mulher que disse ter sido convidada por um auxiliar de Marcelo Antonio a sair candidata, com do pedido para que, recebendo um valor em dinheiro do Fundo Partidário, ato seguinte devolvesse a maior parte. Até para escrever está ficando chato.

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