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A Rodonorte mentiu ao dizer que o Contorno Norte era uma gentileza sua para a cidade

A Rodonorte, que virou CCR Rodonorte, nunca disse que a obra do Contorno Norte de Ponta Grossa era uma obrigação contratual sua. Chegou a promover algumas pequenas reuniões, com lideranças da comunidade, para apresentar o projeto da obra, como sendo uma liberalidade sua, em favor da comunidade pontagrossense e, de resto, do Paraná e do Sul do Brasil. Foi dito até mesmo que o projeto da obra era uma gentileza da própria empresa. E todo mundo acreditou nessa versão, até porque não teria razão alguma para desconfiar de que não havia verdade no que estava sendo dito e mostrado. Políticos da cidade chegaram a se movimentar, no sentido de levar o assunto para discussão no Palácio Iguaçu e mesmo no Ministério da Infraestrutura, em Brasília.

Agora, sabe-se que a obra do Contorno Norte de Ponta Grossa era uma obrigação da Rodonorte, constante do contrato original da concessão de rodovias. Como essa obrigação sumiu, por conta das negociatas havidas, com pagamento de propina, a empresa teve a coragem de mentir para a nossa gente, simulando uma gentileza, que nunca existiu.

Por oportuno, vale lembrar que, na campanha eleitoral de 2002, o então candidato José Serra a presidente da República esteve em Ponta Grossa e sua agenda de compromissos incluiu visita a Rodonorte, onde o presidente da empresa, Silvio Marchiori, fez uma detalhada exposição ao candidato, enfatizando a necessidade da obra e de seu apoio, uma vez eleito presidente da República. E José Serra manifestou sua simpatia pelo projeto, até mesmo por ter apreciado a realidade econômica e social de Ponta Grossa.

E o candidato José Serra foi acompanhado por um grupo seleto de lideranças e autoridades da cidade, que apoiava a candidatura do PSDB ao Palácio do Planalto, e que, naturalmente, acreditou em tudo o que foi dito pelo presidente da Rodonorte. Tanto, assim, que esse assunto passou a merecer destaque na cidade, com várias matérias na Imprensa local, enfatizando o grau de envolvimento da empresa com a comunidade, ao ponto de ter se debruçado em cima de um dos grandes problemas de ordem estrutural de nosso desenvolvimento, que era uma via alternativa ao nosso antigo e esgotado contorno, a Avenida do Contorno, que data da década de sessenta. E, desde então, a cada vez que se abordava esse assunto, era evidenciado o mérito da iniciativa, como pertencendo ao espírito generoso e bom da empresa Rodonorte. Isso é sério, é grave, porque mentiroso. E a nossa gente não merecia ter sido traída, enganada, por uma empresa que ela sempre considerou, admirou, reconheceu, homenageou. Sim, chegou a ser reconhecida como “Empresa do Ano”, pela Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, especialmente, pelo feito da “generosidade” da oferta do projeto do Contorno Norte.

E a revelação desse fato, agora, pelo deputado federal e secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, Sandro Alex, na entrevista de ontem, ao meu espaço nas redes sociais, soou como uma punhalada nas costas de nossa gente. Se ninguém nunca imaginou que a Rodonorte pudesse estar agindo com desonestidade, pagando propina e cometendo corrupção, menos ainda haveria alguém de ser capaz de imaginar que o engenheiro Silvio Marchiori, presidente da Rodonorte, tivesse a capacidade de mentir para todos nós, logo ele tratado com a maior consideração e respeito pela nossa gente, merecedor da estima e gratidão, pela maneira com que aparentava tratar as coisas de nossa terra, que interessavam a nossa gente.

Além de desonesta, vê-se, agora, que a Rodonorte é mentirosa, também.

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