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Rodonorte teria pago propina durante vinte anos, ou seja, em todos os governos

Importante será conhecer os detalhes do acordo de leniência que a Rodonorte fez com o Ministério Público Federal, da força-tarefa Operação Lava Jato, especialmente, pelo fato de que o pagamento de propina teria sido feito ao longo dos últimos vinte anos, o que remete para o início das atividades da empresa. Em outras palavras, a Rodonorte começou a operar, pagando propina. E não seria surpresa se, de repente, se descobrisse que a Rodonorte, primeiro, pagou propina, para começa a trabalhar.

Afora a ironia, por vinte anos, entenda-se o segundo governo de Jaime Lerner – quatro anos -, os dois governos de Roberto Requião – oito anos -, e os dois governos de Beto Richa – oito anos. Quatro e oito, doze, mais oito, vinte anos. Como alguns dos nomes dos dois governos de Beto Richa já são conhecidos, a expectativa, agora, fica por conta dos nomes dos que receberam propina nos governos de Jaime Lerner e de Roberto Requião, este tido e havido como opositor e inimigo das empresas concessionárias de rodovias, no Estado.

Trazendo o assunto para os limites do Rio Tibagi para cá, temos que, durante esses vinte anos, a Rodonorte foi tratada, pela comunidade de Ponta Grossa, com a maior consideração e seus dirigentes com todo o respeito, sendo eles convidados para todos os eventos importantes havidos na cidade. Em nome de tudo isso, homenagens foram prestadas, como entrega de títulos de Cidadania Honorária, que é o maior diploma que a cidade tem para manifestar reconhecimento e gratidão a seus benfeitores. Como fica, agora, a comunidade, diante dessa nova realidade, que evidencia que a consideração e o respeito nunca tiveram reciprocidade, e que a cidade, quando muito, foi a sede estratégica para a instalação e funcionamento da empresa. A imagem de empresa parceira, de empresa solidária, de empresa com responsabilidade social ganha força de falsidade, porquanto todo o dinheiro dispensado em tais ações se afigura, dadas as circunstâncias conhecidas, como indevido, desonesto, sujo. A mesma natureza do dinheiro da Odebrecht e da OAS no Sítio de Atibaia, de Lula.

E chama a atenção, também, a presteza da Rodonorte em fazer o tal acordo de leniência, isto é, pega em flagrante, confessa, desde logo. E como chegaram a acontecer prisões, deixando claro que o pessoal da Lava Jato sabia de boa parte do todo, o entendimento foi de que era melhor fazer um mau acerto, do que enfrentar uma boa demanda. E, diante da experiência vivida pela matriz em São Paulo da CCR, não foi nem dolorido em apressar a confissão de culpa, contando ter havido pagamento de propina desde quando a empresa se estabeleceu no Paraná e a pronta disposição de deixar de receber R$ 350 milhões, por conta de um nunca imaginado desconto de 30% do valor do pedágio, além da construção de obras, que constavam no contrato original, e que ninguém mais sabia, nem contava com elas, no valor de R$ 365 milhões, a serem definidas.

Como dissemos em nosso primeiro artigo, a propósito dessa descoberta do proceder da Rodonorte, da “nossa” Rodonorte, é fácil falar da Odebrecht, da Camargo Corrêa, da OAS, nas confusões havidas com a Petrobrás, e mesmo com a história do Cascalhão do Beto Richa, em conluio com a Ouro Verde e o Grupo Malucelli. Complicado, mesmo, é falar de gente da casa da gente, por quem sempre se nutriu a maior consideração e respeito, imaginando-se sempre tratar-se de empresa honrada, comprometida com as obras da melhoria da malha viária do Paraná, longe, muito longe, de qualquer negociata, velhacaria, trapaça com gente suja, de governo sujo, dividindo dinheiro sujo. Aí, é difícil, porque é constrangedor. Mas, ainda que difícil, é preciso falar, é preciso divulgar, é preciso discutir. Mais, é preciso denunciar e protestar por termos sido usados e enganados.

A empresa até pode continuar estabelecida aqui na cidade, mas nunca mais com o respeito, a consideração e o prestígio que a comunidade sempre lhe conferiu. Homenagens, nem pensar. Aliás, homenagens precisam, isto sim, ser repensadas, as que foram prestadas.

Um comentário em “Rodonorte teria pago propina durante vinte anos, ou seja, em todos os governos

  • março 9, 2019 em 00:34
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    Desde sempre eu soube que havia propinas nessas concessões, desde o governo do Jaime Lerner.

    Além dessa também houve a situação do Banestado também naquele governo e a entrega de imensas florestas de pinus aos amigos do rei.

    Só não sabiam os que não queriam ver as coisas como elas sempre foram.

    Hipócritas é o que não falta em nosso país.

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