fbpx

Rodonorte, pelo visto, nunca teve vocação de responsabilidade social

Como dissemos, ainda, ontem, é fácil a discussão da roubalheira em Brasília, em São Paulo, no Rio de Janeiro e, até mesmo, em Curitiba, por conta dos maus feitos do ex-governador Beto Richa e familiares, amigos e auxiliares. Cruzando o Rio Tibagi, para cá, essa discussão se torna mais difícil, pelo natural constrangimento, eis que as notícias de pagamento de propina, o que equivale a crime, por parte da Rodonorte, vão fazer emergir nomes de pessoas conhecidas, de fácil e largo relacionamento na cidade, em que a empresa ganhou prestígio e respeito por se afigurar como uma empresa de forte vocação para a responsabilidade social. E enquanto ganhou prestígio e respeito, não apenas aqui em Ponta Grossa, sua cidade-sede, mas em todos os municípios por onde cruzam as rodovias sob sua responsabilidade, de Curitiba a Apucarana, de Ponta Grossa a Jaguariaiva, em outra ponta, participava do jogo sujo, não apenas com um governo sujo, mas, sim, com governos sujos, eis que, agora, a própria empresa já reconhece que pagou propina, ao longo dos últimos vinte anos, de todos os governos, a partir de 98. Com isso, pode-se concluir que o dinheiro empregado no que se imaginava responsabilidade social era, na verdade, um troco, em relação aos valores das negociatas, para a criação e sustentação de imagem de empresa parceira, empresa amiga, empresa exemplar no tocante ao que se convencionou chamar de “responsabilidade social”.

Pelo que se noticia, agora, no acordo celebrado como a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, a Rodonorte, que integra o Grupo CCR, após ter homologado esse acordo pela Justiça Federal, terá trinta dias de prazo para conceder um desconto de 30% no preço do pedágio, por um prazo estimado de um ano, pelo menos, até que esse desconto alcance a casa dos R$ 350 milhões. E a empresa se compromete, ainda, a realizar obras, que somem R$ 365 milhões, que faziam parte do contrato inicial, mas que deixaram de ser realizadas, por conta das estripulias havidas com os governos, ao longo dos últimos vinte anos, como está sendo reconhecido pela própria Rodonorte, de acordo com a matéria publicada na terça-feira e ampliada ontem, pelo jornal Folha de S. Paulo, tanto em sua edição impressa, quanto em sua edição on-line.

Naturalmente, que, se a CCR-Rodonorte está a celebrar esse acordo com a Operação Lava Jato, as demais empresas concessionárias de rodovias haverão de seguir o mesmo caminho, eis que no depoimento havido de um motorista da presidência da Rodonorte e divulgado nas matérias de terça e quarta-feiras, ele levou várias malas de dinheiro ao Palácio Iguaçu, ao Tribunal de Contas e a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, a famosa ABCR, que era comandada, desde o início das atividades das seis empresas do Anel de Integração, por João Chiminazzo Neto, que já esteve preso. E a ABCR, já se sabe, agora, se encarregava de correr a sacola entre as empresas concessionárias para um gordo pagamento de propina aos governos. Aliás, diante da prisão de Chiminazzo, a ABCR parece ter se dado conta de sua inutilidade, fechando sua representação em Curitiba. Até porque, diante das circunstâncias, a dita entidade cuidava, prioritariamente, dos maus feitos, para agradar os corruptos do governo e os corruptores empresariais, que tinha a vantagem de ter obras reduzidas.

E todo esse acordo de leniência da CCR-Rodonorte tem claro o propósito de se assegurar no direito a participar de futuros leilões de rodovias, ao mesmo tempo, em que pretende assegurar aos seus delatores a garantia de que não cumprirão penas em presídios. Por aqui, ninguém imaginava coisa parecida ao que se está anunciando, que virá.

Um comentário em “Rodonorte, pelo visto, nunca teve vocação de responsabilidade social

  • março 7, 2019 em 12:41
    Permalink

    Caro Amigo Adail,

    Brilhante matéria ora publicada !!!

    Abraços

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *