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Os títulos dados a Lula e André Vargas foram cancelados. E o de Beto Richa?

A pedido do cartorário Valter Sâmara, o vereador Pascoal Adura, em 2002, foi o autor da entrega a Luiz Inácio Lula da Silva do título de Cidadão Honorário de Ponta Grossa. Lula, então, era, pela quarta vez, pré-candidato a presidente da República. Pouco mais para a frente, o vereador Júlio Kuller homenageou o deputado federal André Vargas com o título de Cidadão Honorário de Ponta Grossa. Júlio era amigo pessoal de um assessor de André, ou Andrezinho, como sempre foi chamado em Londrina. E, aí, resolveu homenagear o chefe do amigo dele, trazido à Ponta Grossa, pelo proprietário do jornal “Diário dos Campos”, Wilson de Oliveira, que, por ser de Londrina também, era amigo de Andrezinho. Aliás, Wilson, em Londrina, é chamado de Wilsinho.

E, aí, um pouco mais para a frente, o vereador Sebastião Mainardes Júnior fez também a sua homenagem, na verdade, a homenagem de todos os vereadores da Câmara Municipal, em nome do povo de Ponta Grossa, ao futuro governador do Paraná Beto Richa, com o mesmo título de Cidadão Honorário de Ponta Grossa. Nada mais natural, por ser corriqueiro esse proceder de homenagem, em especial, a um candidato, em clima de vitória, a presidente da República, a um deputado federal, amigo do dono de um jornal e chefe de um amigo seu, e a um candidato a governador, também, em ritmo de vencedor do pleito.

O que não é normal é um homenageado, com a maior honraria do Município, se revelar um cidadão indigno, desonesto, quadrilheiro. Isso é a exceção da regra, que merece servir de lição para as costumeiras precipitações de projetos de títulos de cidadania.

Dos três, o primeiro a ser preso foi o deputado André Vargas, que não é mais deputado e que, hoje, está cumprindo pena de prisão domiciliar em sua casa, em Londrina. Ah, o ex-deputado André Vargas, que chegou a ser vice-presidente da Câmara dos Deputados, vice de Eduardo Campos, pertence ao PT.

O preso seguinte foi o comandante-em-chefe da quadrilha do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Dois ilustres homenageados pelo povo de Ponta Grossa. Com o mesmo título entregue a cidadãos de bem.

Diante das circunstâncias adversas, ainda que constrangidos, Pascoal Adura e Júlio Kuller, que naturalmente não podem ter culpa alguma pelo que fizeram ou deixaram de fazer seus homenageados, propuseram a retirada das homenagens, ou a cassação dos títulos, ou o cancelamento da honraria. Nem Pascoal, nem Júlio são culpados. Mas, por terem sido autores da homenagem, diante do desrespeito a ela, fizeram o que lhes competia o dever para com o povo de Ponta Grossa, retirar a honraria, por proposições levadas ao Plenário da Câmara Municipal, que foram aprovadas. Superadas duas situações, que nunca poderiam ser imaginadas por Pascoal e Júlio, eis que resta a terceira situação, o terceiro caso, a terceira desonra, igualmente, sem culpa alguma do autor da homenagem, Sebastião Mainardes Júnior.

Entretanto, por ter sido o autor da homenagem, da festa, da entrega do título a quem governou o Paraná por dois mandatos e dele foi amigo, ou continua amigo, diante do que ninguém poderia conceber, resta a Mainardes o ônus do bônus que teve, com a apresentação, agora, do pedido de cancelamento da horaria maior do Município que foi entregue a quem não se fez digno de honrá-la.

É constrangedor, com certeza. Porém, constrangimento maior é o povo de Ponta Grossa continuar validando uma homenagem a quem desonrou o cargo que ocupou, desmereceu a memória de seu pai e pouco se deu conta do significado do maior título que Ponta Grossa tem para oferecer aos que ela julga cidadãos de bem, pessoas decentes, homens com honra.

Preso duas vezes e solto duas vezes e, antes que seja preso pela terceira vez, quem sabe alguém pudesse pedir a Beto que devolva o que não mais lhe pertence. Seria um favor ao povo e um alívio sem tamanho ao vereador Sebastião Mainardes Júnior. É uma ideia.

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