As CPIs do Pedágio, criadas pela Assembleia do Paraná, deveriam ser fiscalizadas pelo MPF

Num jogo rasteiro, as seis empresas concessionárias de rodovias do Paraná se permitiram ao pagamento de propina a agentes públicos do governo do Estado, a partir de 1999, segundo revelações do Ministério Público Federal. E o MPF calcula alguma coisa em torno de R$ 8 bilhões e 400 milhões o prejuízo dado ao Paraná, seja pela redução de obras a serem realizadas, seja pelo reajuste do preço do pedágio, seja pela prática da corrupção, no pagamento de propina ao pessoal que cuidava dos contratos das concessionárias na estrutura burocrática do governo. E, em especial, o ex-governador Beto Richa. Aliás, ontem, o juiz federal Paulo Sergio Ribeiro, da 23ª Vara Criminal de Curitiba, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), a ex-primeira-dama Fernanda Richa, o filho do casal André Richa  e o contador Dirceu Pupo Ferreira, por crime de lavagem de dinheiro. Dirceu Ferreira é o contador da empresa Ocaporã, uma imobiliária em nome de Fernanda Richa e do filho André Richa.

O ex-governador Beto Richa, pelo que está sendo revelado pelo Ministério Público Federal e pelo que já foi divulgado, também, pelo Ministério Público Estadual, exibe todos os pendores de um criminoso, que mentiu para o povo do Paraná, ao longo de mais de vinte anos de vida pública. Interessante que, diante do que está sendo mostrado agora, é de se indagar se nada foi levantado de errado nos dois mandatos que exerceu como prefeito de Curitiba. É que parece pouco provável que tenha sido um administrador público correto, enquanto prefeito, e um administrador público desonesto, vigarista, corrupto, enquanto governador do Estado.

Mas, cabe aqui um questionamento em relação à Assembleia Legislativa, que constituiu, pelo menos, duas CPIs do Pedágio, pela força dos parlamentares críticos das concessionárias de rodovias. E, pelo que está sendo demonstrado, nem o Palácio Iguaçu, nem as empresas concessionárias se preocupavam com as tais comissões de inquérito, que, a rigor, sempre deram em nada. E, aí, surge espaço também para se discutir o papel de fiscalização do Tribunal de Contas do Estado. Se o Ministério Público Federal revelou a existência de uma organização criminosa, formada por figuras do governo do Estado e pelas seis concessionárias de rodovias, como se aceitar que os vizinhos do Palácio Iguaçu não tenham descoberto nenhuma irregularidade, no trabalho de fiscalização que lhes compete. Mesmo ao tempo dos dois últimos governos de Roberto Requião, o crítico mais vistoso do pedágio, Requião bateu às portas do Poder Judiciário pela discordância dos termos dos contratos, pelo elevado preço do pedágio, que sempre condenou. Nunca, entretanto, se ouviu Requião denunciar alguma prática de corrupção, provocar alguma ação na Justiça, por pagamento de propina.

É verdade que o PT de Lula, de José Dirceu, de Dilma Rousseff se transformou numa organização criminosa, como nunca houve qualquer coisa parecida nestes mais de 500 anos de Brasil. Mas, é verdade, também, que o PSDB, por meio de Beto Richa, Aécio Neves, Marconi Perillo e José Serra e mais um ou outro tucano paulista têm feito força para se parecer com toda a quadrilha petista. O ideal é que todos eles já estivessem fazendo companhia a Lula. Se o PT se transformou numa organização criminosa, sem surpresa, esse povo do PSDB surpreendeu, porque todos eles procuraram se mostrar, ao longo do tempo, figuras merecedoras do respeito das pessoas de bem. Sabe-se, agora, tão desonestos quanto os desonestes petistas.

Mas, o Ministério Público Federal deveria dispensar um tempo para investigar a natureza das CPIs da Assembleia Legislativa do Paraná. Seguramente, haverá de encontrar coisas interessantes…

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