fbpx

Escândalo do pedágio no Paraná aponta para quadrilha de políticos com o pedágio

O Ministério Público Federal, aqui do Paraná, está revelando números do conluio do governo do Estado com as seis empresas concessionárias de rodovias, que parecem agredir, desconsiderar, fazer pouco do povo do Paraná, que, num primeiro momento, acreditou que a ideia do então governador Jaime Lerner, em 1997, ao assinar o contrato com essas empresas, seria, como ele anunciou, um notável salto de qualidade de nossas rodovias que se equiparariam a rodovias de países de Primeiro Mundo. Ele falava sério e o povo o levava a sério. Como o povo pensava também que sério seria o trabalho das empresas concessionárias de rodovias, grandes empresas, algumas, inclusive, integrantes de grupos brasileiros multinacionais.

Se Jaime Lerner teve uma ideia de modernidade, foi Jaime Lerner o primeiro a desmanchar com os pés o que havia construído com as mãos. Ao promover o primeiro reajuste do pedágio, que o povo já reclamava do elevado valor, Lerner fez uma fantástica e ilegal alteração, cortando o reajuste pela metade. A partir de então, o que seria um sonho dourado começou a se transformar num verdadeiro fardo, pelo preço que continuou elevado, e pela decepção que se revela nos dias de hoje, seja pela frustração do benefício prometido, seja pela revelação de um verdadeiro conluio do governo do Estado com essas empresas, reunidos, se transformaram numa verdadeira organização criminosa, agindo contra a população, desmentindo a promessa da modernidade e escondendo o compromisso dos 800 quilômetros de rodovias duplicadas.

Para espanto geral, o Ministério Público Federal fala em desvio de R$ 8,4 bilhões, por conta de aditivos que suprimiram obras, pelo reajuste das tarifas do pedágio e pelo pagamento de propina. Propina, por sinal, que teria sido iniciada em 1999, no segundo governo de Jaime Lerner. Segundo o Ministério Público Federal, a propina no tempo do segundo governo de Jaime Lerner e nos dois governos de Roberto Requião era paga a altos funcionários da Secretaria dos Transportes, do DER, da Agepar, sem provas, por ora, de que tal anomalia alcançasse ou fosse do conhecimento de Lerner e de Requião. Nos governos de Beto Richa, a Secretaria dos Transportes virou Secretaria de Infraestrutura e Logística e o DER e a Agepar continuaram sem alterações. A diferença de Beto em relação a Lerner e a Requião, é de que ele, em pessoa, teria assumido o comando da organização criminosa, com a participação do primo Luis Adoum, que está no Líbano, do irmão Pepe Richa, titular da Secretaria da Infraestrutura, e que estaria foragido, de Nelson Leal Júnior, diretor do DER, e que, preso, virou delator. E, aí, mais gente do governo e o povo das empresas concessionárias de rodovias. Indiscutível e escandalosamente, uma grande e ativa organização criminosa, agindo dentro e contra o Paraná.

E como tudo isso aconteceu até o ano passado, é de se indagar o elevado grau criminoso de toda essa gente, eis que, aqui no Paraná, em Curitiba, desde 2014, está a matriz da Operação Lava Jato, desmantelando organizações criminosas que operavam na Petrobrás. E nada disso foi suficiente para que esse povo, reveladamente criminoso, se desse conta de que um novo momento estava surgindo no Brasil, e de que era hora de parar de roubar. Aquele estalo do “quem roubou, roubou; quem não roubou, não rouba mais”. Mas, eles continuaram, foram perseverantes, porque a Lava Jato nunca colocaria as mãos nos largos ombros deles. Eis que o dia chegou e a casa caiu.

Trinta e três pessoas, entre políticos e empresários, acabam de se transformar em réus, na Justiça Federal, com o ex-governador Beto Richa à frente. E, no final do dia de ontem, o Ministério Público Federal pediu para que a esposa de Beto, Fernanda Richa, e um filho do casal, André Richa, também sejam considerados réus.

O que esse bando andou fazendo com o nosso Paraná!…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *