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Beto vira réu no processo do pedágio. Isso ministros de Brasília não podem impedir

Investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal indicam que a propina do pedágio das seis empresas do Anel de Integração a autoridades e altos funcionários públicos do governo do Estado começou em 1999, primeiro ano do segundo governo de Jaime Lerner. Ou seja, é coisa do começo do mundo. Sim, do mundo do pedágio no Paraná. Eis que tudo começou em 1997, com a licitação dos seis trechos do chamado Anel de Integração, com os trabalhos sendo iniciados em 1998, ano em que Lerner se reelegeu para o Palácio Iguaçu. Aliás, no primeiro pleito do instituto da reeleição, em que Fernando Henrique Cardoso se reelegeu para o Palácio do Planalto, impondo a terceira derrota eleitoral a Luiz Inácio Lula da Silva. Que viria a se eleger quatro anos depois, em 82, contra o senador Jose Serra.

Dos três governadores que passaram pelo Palácio Iguaçu, nessa era do pedágio, por ora, apenas, Beto Richa caiu em desgraça, tendo sido preso, em duas oportunidades, a primeira, na contratação de maquinário pesado para conservação e abertura de novas estradas nas áreas rurais, projeto que teria lhe rendido propina, e ao seu irmão foragido, Pepe Richa, e, depois, propina do dinheiro do pedágio saído dos cofres das seis empresas concessionárias de rodovias do Paraná. Funcionários a Agepar – a agência criada para fiscalizar as obras do pedágio… – entraram nas planilhas de propina das concessionárias do Anel de Integração, assim como, altos servidores do DER, incluindo o seu diretor, à época, Nelson Leal Júnior, e, aí, o secretário de Infraestrutura e Logistica, José Richa Júnior, o Pepe Richa, e, para coroar o festival da roubalheira do dinheiro público, o governador Beto Richa.

Os advogados do ex-governador Beto Richa, ao que parece, são muito mais ágeis e preparados que os advogados do ex-presidente Lula, pois enquanto os advogados de Lula não conseguiram evitar a sua prisão, os advogados de Beto o livraram da primeira prisão, que durou três ou quatro dias, ao baterem à porta do gabinete do ministro Gilmar Mendes. Como Beto foi preso uma segunda vez, os mesmos advogados voltaram à Brasília e, desta feita, bateram à porta do presidente do STJ ministro João Otávio de Noronha, que, de pronto, devolveu Beto Richa ao mundo dos que têm direito à liberdade. E o interessante é que esses advogados ignoram o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Segunda Instância, pegando os processos da Primeira Instância e indo bater, direto, nas portas da Terceira Instância, em Brasília. Como a dizer, “vamos lidar com quem manda, com quem resolve”.

Essa queda de braço, em que juiz prende aqui e ministro manda soltar em Brasília, ganhou, agora, um novo rito, em que o juiz daqui, da Primeira Instância, acolheu denúncia do Ministério Público Federal e, assim, tornou o ex-governador Beto Richa réu no processo, que vai correr seu rito natural, da mesma forma, como o rio corre para o mar. Esse processo, e outros do mesmo pedágio, até poderão chegar aos ministros dos tribunais superiores, mas já em outra condição, seguramente, com sentenças condenatórios do Juízo da Primeira Instância, com possibilidade da confirmação pelo Juízo da Segunda Instância, aí, então, com Beto de volta para a cadeia, pela terceira vez.

Esse rito judicial, que hoje merece questionamento das pessoas, vai continuar vencendo as etapas estabelecidas. Entretanto, o juízo da sociedade já está estabelecido, pois, sentindo-se enganada e traída, essa sociedade paranaense desacredita e repudia, hoje, o famoso sobrenome Richa, do ex-governador, do seu irmão, ex-secretário, da esposa e dois filhos, que integram a tal empresa imobiliária, junto com a mãe.

Isso tudo foi possível pela delação do engenheiro Nelson Leal Júnior, diretor do DER nos governos de Beto Richa. Preso, resolveu contar o que sabe e do que participou.

Como tudo começou em 1999, é possível que mais nomes apareçam. O Paraná merece conhecer a história de quem passou pelo Palácio Iguaçu.

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