Renan é uma ameaça às reformas pela moralidade. Aliás, ele é a contra-reforma

O MDB, sob o comando do senador Romero Jucá, não decidiu nada ontem, como havia sido anunciado, para definir, entre Renan Calheiros e Simone Tebet, quem seria o candidato do partido à presidência do Senado. Considerando que Jucá, que não foi reeleito e é amigo-irmão de Renan, parceiro até nas ações que correm no STF contra os dois, tenha facilitado esse adiamento que até pode significar que Rena não tem uma maioria dentro do MDB, pois, se tivesse uma maioria consolidada, a reunião de ontem teria batido o martelo em torno  de sua candidatura, deixando a senadora do Mato Grosso fora do páreo. Essa é uma hipótese, pois, uma vitória de Renan para presidir o Senado, de novo, interessa a Romero Jucá, como interessa a Eunício de Oliveira, também não reeleito, ainda que os processos contra os dois, que hoje tramitam no STF, a partir de sexta-feira estarão prontos para serem remetidos para a Primeira Instância de Roraima e do Ceará, respectivamente.
O senador Renan Calheiros, cria do hoje também senador Fernando Collor, quando de sua eleição para presidente da República, em que Renan, jovem deputado federal, foi seu líder na Câmara Federal, teve renovado seu mandato, pelo eleitor de Alagoas, ao lado da reeleição de seu filho, Renan Júnior, para o governo do Estado, ambos apoiando a candidatura petista de Fernando Haddad, de modo a se garantirem dos votos petistas no Estado, pela força de Lula e do Programa Bolsa Família.
O tempo está passando e não se verifica nenhuma ação política consistente para barrar eventual nova eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado Federal. O assunto é sério, mormente, no Brasil pós-eleição de 2018, em que o eleitor deixou claro a sua mensagem de combate a corrupção e ao crime organizado. E Renan é um dos alvos a ser combatido, pois, contra ele há uma série de processos tramitando, ou engavetados, no STF. Um desses processos foi arquivado e se referia ao caso de uma filha que teve fora do casamento com uma jornalista de Brasília. Por conta dessa situação, teve de renunciar à presidência do Senado, diante da possibilidade de ser cassado pelo Plenário da Casa. Por conseguinte, um cidadão com um passado comprometedor, como Renan Calheiros, nem poderia estar disputando a presidência do Senado, em respeito à instituição. Mas, em tendo a audácia de ser candidato, o colegiado deveria dar mostras evidentes de rejeição, em atenção, inclusive, ao grito do eleitor brasileiro nas urnas do ano passado, por um Brasil decente, sem corrupção, honesto. Entretanto, não se verifica essa reação majoritária, pois, acaso existisse, o próprio Renan já teria se recolhido. E o que chama a atenção é a desenvoltura de Renan, como se ele fosse uma das figuras mais representativas do Congresso Nacional, mais acreditada, mais digna.
Na nova quadra dos acontecimentos da política brasileira, vale repetir, a partir das urnas de 2018, não pode mais haver espaço para alguém, com o perfil de Renan Calheiros, em se apresentar para disputar um dos mais altos cargos da República, pela ameaça que, flagrantemente, representa para as próprias instituições democráticas.
E o curioso é que o o jogo está correndo solto, na mais absoluta normalidade, com o próprio Renan se afirmando como nome que está se creditando a vitória. Não se vê a aparição de nenhum líder acreditado para reunir os homens públicos de bem do Senado e convencê-los a se formar ao lado de uma única candidatura, esta sim decente e recomendável, a fim de enfrentar o mal maior que está a desafiar a dignidade da própria Câmara Alta.
Espera-se que o Senado, a casa de Rui Barbosa, se desperte para preservar a sua grandeza, diante da nova ordem moralizante do Brasil.

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