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A nova prisão de Beto Richa é a decretação do fim da vida pública de qualquer Richa

O pai, o saudoso e decente homem público José Richa, deixou a sua família em Joaquim Távora para ir estudar em Curitiba, fazer o curso de Odontologia. Ainda jovem se tornou militante político no PDC – Partido da Democracia Cristã -, liderado no Paraná por Ney Braga, de quem Richa,  no futuro, viria a ser adversário. Mas, foi pelas mãos de Ney e pelo PDC que José Richa se elegeu deputado federal nas eleições de 1962. Com a instalação do regime militar, em 64, Richa se separou do padrinho, tendo ajudado a fundar o MDB, partido de oposição ao regime militar, enquanto Ney Braga ajudou a fundar a Arena, partido de sustentação política do regime militar.

Richa viria a se reeleger deputado federal em 66, concorrer ao Senado, em 1970, sem vencer, prefeito de Londrina em 72, senador da República em 78, governador em 82 e senador da República, de novo, em 86, candidato a governador, de novo, em 90, sem sucesso. Na condição de senador, deixou o MDB e ajudou a fundar o PSDB.

Pela sua liderança, honradez e dignidade, ganhou projeção nacional. Chegou a ter seu nome lembrado para disputar a Presidência da República em 1989, mas declinou, tendo, então, concorrido ao cargo o também senador Mário Covas, de São Paulo e do mesmo PSDB de Richa.

Nessa sua trajetória, José Richa viu o filho Beto Richa perder uma eleição para vereador em Curitiba, em seguida, assistiu a vitória do mesmo Beto Richa para a Assembleia Legislativa, uma reeleição, candidatura vitoriosa a vice-prefeito de Curitiba, na chapa de Cássio Taniguchi. Mas, como faleceu em 2003, não pode assistir as vitórias do filho para prefeito, em 2004, sua extraordinária reeleição em 2008, sua eleição para governador do Estado em 2010 e sua reeleição em 2014.

Ao falecer em 2003, aos 69 anos, se José Richa não viu o filho mais jovem ser prefeito de Curitiba e governador do Estado, foi poupado, de outro lado, da maior vergonha em ver o filho envolvido em ações criminosas, roubando o dinheiro púbico, com a parceria do irmão mais velho, que carrega o seu próprio nome – José Richa Filho, o Pepe. O filho mais jovem que chegou a brilhar na vida pública, levado em boa parte pelo exemplo da vida pública honrada do pai, se perdeu no meio da caminhada, incursionando pelo sub-mundo do crime organizado, envolvendo-se na prática indecente da corrupção, na companhia do irmão mais velho, o Pepe, e ambos aliando-se a empresários, igualmente criminosos. Por conta desse terrível desvio de caráter, foi preso em plena campanha para o Senado da República, por denúncia de recebimento de propina em obras de recuperação de estradas rurais, o que lhe impôs uma fragorosa e humilhante derrota eleitoral. Ficou quatro dias preso, com a mulher, com o irmão bandido e com os empresários bandidos, com os quais havia se aliado. Solto, volta a ser preso, quatro meses depois, agora já pela Polícia Federal, por denúncia de ser beneficiário de propina paga pelas seis concessionárias das estradas pedagiadas do Paraná. Nesse novo crime, o nome do irmão não apareceu, ou, talvez, ainda não tenha aparecido, eis que o irmão foi secretário de Infraestrutura e Logística de seus dois períodos de governo, logo a pasta que negociava com as empresas do pedágio. Sobre o irmão Pepe, a informação na praça é de que o mesmo estaria sumido, fora do Brasil. Quem nada deve, não precisa fugir e, muito menos, deixar o País.

Não há nada a ser comemorado. Aliás, há muito a ser deplorado, lastimado,

envergonhado. Como pode um homem público desmoralizar, desacreditar, escandalizar um nome honrado, no Paraná e no Brasil, construído pelo pai. Um homem público que não precisava roubar, casado com uma mulher rica, de uma família de banqueiros do Estado, que deveria ter impedido o marido de, além de desonrar a própria família, trair e roubar o povo do Paraná. Alguém apostaria nesse lado criminoso do ex-governador?…

Pela sua falta de caráter, nunca mais um nome Richa poderá se apresentar para a vida pública no Paraná. E, com o o pai já morreu, os dois filhos, o mais velho e o mais novo, podem, agora, “matar” a mãe. Até porque, cadeia por roubo de dinheiro público, é pior do que a morte. Especialmente, para uma mãe.

3 comentários em “A nova prisão de Beto Richa é a decretação do fim da vida pública de qualquer Richa

  • janeiro 26, 2019 em 06:05
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    Prezado amigo Adail seu texto é perfeito.
    TFA

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  • janeiro 26, 2019 em 12:06
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    Irmão Adail Lemos Inglês, bela reportagem sobre um dos ícones da Política Paranaense!!! Parabéns TFA

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  • maio 4, 2019 em 21:43
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    Adail, falou tudo o que é necessário ao cidadão saber. – De seu amigo Artur Carlos da Costa.

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