Bolsonaro precisa ter na Casa Civil um Moro, ou um Paulo Guedes; não o Onix

O processo de eleição das mesas das duas casas do Congresso Nacional está correndo solto, como se fosse uma disputa política de menor significado. Como a Câmara dos Deputados e o Senado da República são instituições basilares da democracia, por se constituírem em casas que representam o povo e o Estado, seus respectivos comandos precisam pertencer a mãos seguras e comprometidas com a dignidade da representação popular e com a grandeza do Estado e da República. E o Poder Executivo, que também é uma instituição forjada no voto popular, política por excelência, também, não pode ignorar o embate eleitoral em tais casas, eis que tem interesse direto e legítimo no proceder de cada uma delas, em função dos projetos que possui para realizar.

Em tais circunstâncias, uma vez que o General Golbery do Couto e Silva já faleceu, o presidente Jair Bolsonaro deveria ter colocado na Casa Civil um espécime de Sérgio Moro, da Justiça, ou de Paulo Guedes, da Economia, nunca um Onix Lorenzoni, pois, a despeito de ser um deputado federal com larga experiência – foi reeleito em 2018 para o seu sexto mandato consecutivo -, falta-lhe a expressão do líder, do negociador, do estrategista. Os escorregões do governo em seus primeiros doze dias têm muito a ver com essa falta de habilidade do principal negociador político do governo. Que, por sinal, não tem que ser o primeiro da foto, o que quer aparecer, o que precisa exibir poder. Não, o negociador de fato é o que menos aparece e o que mais atua nos bastidores, o que não indica ser o procedimento do ministro Onix Lorenzoni.

Na Câmara dos Deputados, o deputado Rodrigo Maia, que pertence ao mesmo DEM de Lorenzoni, é candidato a continuar na presidência da casa. Por ser do mesmo partido, seria natural que Lorenzoni estivesse articulando o fortalecimento de sua candidatura, em nome da natural troca de apoio para os projetos de reformas que o governo possui, e muito. Entretanto, se disse surpreendido quando o deputado federal eleito Luciano Bivar, presidente do PSL, anunciou o apoio da bancada do partido à candidatura de Rodrigo Maia. É bom lembrar que o PSL é o partido do presidente Jair Bolsonaro. Se não participou do processo de apoio, ao menos, não deveria acusar o golpe. Mais habilidoso que Onix foi o general Augusto Heleno, que concordou com o apoio pela evidente perspectiva de assegurar base de sustentação na tramitação e aprovação de projetos importantes do governo.

E mesmo com o apoio do partido do presidente da República, o deputado Rodrigo Maia está a enfrentar resistências, especialmente, por parlamentares muito próximos do governo e do presidente Jair Bolsonaro, o que parece não ser recomendável. O governo precisa ganhar com o futuro presidente da Câmara dos Deputados e com o futuro presidente do Senado Federal. O que não significa fazer passeata e campanha de rua.

Para o Senado, há uma ameaça evidente com a candidatura do senador Renan Calheiros, que representa a negação de todo o conjunto de bandeiras da campanha de Jair Bolsonaro, a começar pelo combate a corrupção, eis que Renan é freguês de caderno de processos no STF, por acusação de práticas de corrupção.

Ora, o negociador político do governo não pode consentir no crescimento de uma candidatura que é incompatível com o projeto central do governo, a que serve. Esse negociador, se mais habilidoso e menos vaidoso, já deveria ter conversado com senadores ilustres, honrados e decentes, que constituem maioria no Senado, para a formação de uma chapa que se impusesse ao balcão de negócios de Renan, que tem a torcida de corruptos e, em especial, de todos os que, de uma forma ou de outra, estão ligados ao crime organizado.

O general Augusto Heleno, que, anunciado para o Ministério da Defesa, foi para o Gabinete da Segurança Institucional, de repente, poderia pousar na Casa Civil…

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