Jurista defende advogado que disse que o STF é uma vergonha. E representa contra Lewandowski

O jurista Modesto Carvalhosa protocolou na Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime para a apuração, em procedimento investigatório criminal, da prática, em tese, de crime de abuso de autoridade por parte do ministro do STF Ricardo Lewandowski, dia 4 de dezembro último, pelo fato de o advogado Cristiano Caiado de Acioli ter-lhe dito num avião, ainda em terra, que “o STF é uma vergonha”.
Como um delegado da Polícia Federal entendeu haver princípio de crime, por suspeita de desacato ao ministro Ricardo Lewandowski, no que lhe foi dito pelo advogado Caiado de Acioli, este resolveu reagir e está a bater às portas da PGR com uma notícia-crime para que Lewandowski seja investigado por prática de abuso de autoridade, pois, bastou Acioli ter concluído a frase de que “O STF é uma vergonha” para que o ministro Ricardo Lewandowski, de pronto, lhe respondesse: “Olha aqui, você quer se preso?” Ou seja, Lewandowski se revestiu de suprema e absoluta autoridade a não permitir, sequer, o menor exercício de cidadania com crítica a instituição a que pertence, como se ele e o STF estivessem acima do bem e do mal. A reação de Ricardo Lewandowski parece apropriada pelo fato de, em sendo ministro do STF, se considerar  merecedor de todo o respeito, consideração, medo, terror, submissão por parte do cidadão comum, ser humano de segundo classe diante de um soberano ministro da mais alta corte do País. Diante da reação havida, esse parece, mesmo, ser o sentimento de um ministro do STF, como Ricardo Lewandowski.
No dia 20 de dezembro de 2018, há pouco mais de um ano, portanto, o jornalista José Nêumanne, ao participar do programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que entrevistava o ministro Marco Aurélio Mello, do mesmo STF de Lewandowski, disse a Marco Aurélio que o STF é leniente e que ele próprio não acredita no STF, diante de uma indagação de que o ministro lhe fez: “Você não acredita em sua Suprema Corte?” “Não, não acredito”, disse o valente jornalista do “Estadão”. E nem, por isso, Marco Aurélio chamou a Polícia Federal para prendê-lo. E por que Nêumanne disse tudo isso a Marco Aurélio? Porque o STF tem se desmerecido aos olhos da Nação no descumprimento de seu dever constitucional, como guardião da Constituição, diante do universo da atuação do crime organizado no Brasil, em especial, no âmbito da corrupção, com o envolvimento de figuras importantes da República, tanto do Executivo, quanto do Legislativo, com foro privilegiado. Ou seja, que só podem ser processados e julgados pelo próprio STF. O jornalista José Nêumanne expressou, naquele momento, o sentimento do povo brasileiro, em relação ao STF. Prestou enorme contribuição ao País. E os ministros do STF, que tivessem alguma capacidade de se desvestir, por alguns instantes, do sentimento de terem se tornado deuses, se valeriam da crítica, dita em rede nacional de televisão, para uma revisão de procedimentos. Nada foi feito, porque nada se viu de diferente.
Em relação a acusação do advogado Cristiano Caiado de Acioli, que não apresenta nada mais grave em relação ao que disse o jornalista José Nêumanne, vale se questionar, aqui, o papel menor da OAB em ter ficado do lado do ministro Ricardo Lewandowski, pelo entendimento de que o seu filiado havia ofendido o ministro. A OAB de hoje envergonha a OAB do passado, eis que, nesse episódio, deveria, de pronto, ter defendido a liberdade de manifestação de seu associado, cidadão, advogado. Jamais ter se apequenado para ficar simpática ao STF.
Importa, porém, exaltar a grandeza do advogado Cristiano Caiado de Acioli, tanto no que disse ao ministro Ricardo Lewandowski, de que o STF é uma vergonha, porque tem sido uma vergonha mesmo, quanto, agora, na determinação em pedir que a Procuradoria-Geral da República investigue o “ministro ofendido” de prática de abuso de autoridade. Em meio ao silêncio absoluto dessa acovardada e menor OAB.
 

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