Hoje, seguramente, o Ministério Público Estadual não teria paralisado as investigações na UEPG

Há quinze anos atrás, já caminhando para dezesseis, surgiu uma denúncia de irregularidades administrativas na Universidade Estadual de Ponta Grossa, por meio do Sindicato dos Servidores Públicos da instituição, que acabaram produzindo uma CPI na Assembleia Legislativa. A CPI, presidida pelo então deputado Bradock, foi fraca, pouco produtiva e que não levou a lugar nenhum.

Aqui, em Ponta Grossa, foi aberto um inquérito no Segundo Distrito Policial, a cargo do diligente delegado Marcus Vinícius Sebastião, que chegou a avançar, mas logo se viu sem condições de se manter nas investigações, pois, atendendo a um pedido, teve de remeter ao Ministério Público Estadual todo o inquérito, na fase em que se encontrava, e desde então nunca mais se falou no assunto, nunca mais se ouviu falar qualquer coisa a respeito de tal tema. Ou sumiu, ou está engavetado em algum lugar.

De tudo o que se divulgou na época, o resultado concreto, que foi produzido pela direção da própria UEPG, se deu na exoneração de três servidores lotados na Tesouraria. Entretanto, o caso não se resumia a esses três servidores da Tesouraria, eis que avançava para outras áreas, como da Saúde, onde foram levantadas situações de cobranças financeiras a pacientes, e da Fazenda Escola, em que uma pessoa, conhecida por “Tripa”, inclusive, chegou a fugir daqui para uma cidade da Região Metropolitana de Curitiba, temerosa de ser chamada para depor na Polícia. Mas, não houve necessidade, porquanto o inquérito não chegou a tanto.

E eu relembro esse assunto e o trago de novo para a opinião pública, levado que fui a essa rememoração pelo requerimento do deputado Plauto Miró Guimarães Filho, dirigido a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, pedindo informações sobre a realização de um concurso na UEPG, para a contratação de um grupo reduzido de pessoas, cerca de oito a dez, já no final do mandato do ex-reitor Carlos Luciano Santana Vargas, no primeiro semestre deste ano.

E, claro, também para estabelecer uma comparação, entre o que aconteceu por aqui com o Ministério Público Estadual, há 15 anos, e o que acontece, hoje, com o Ministério Público Federal e mesmo com o Ministério Público Estadual, que têm se constituído em valorosos instrumentos de combate a corrupção, no âmbito da administração pública.

E, se o inquérito tivesse permanecido com o delegado Marcus Vinícius Sebastião até a sua conclusão, seguramente, fatos relevantes teriam sido revelados para a comunidade, tal era o zelo e a correção de Marcus Vinícius em conduzir as investigações daquele caso, que parece não existir mais. Ou, quando muito, nas históricas páginas do Diário da Manhã, que deixou de circular no dia 15 de novembro de 2008. Mas, só deixou de circular, eis que suas páginas, dos 21 anos de funcionamento, continuam vivas para a História de Ponta Grossa.

Um comentário em “Hoje, seguramente, o Ministério Público Estadual não teria paralisado as investigações na UEPG

  • dezembro 14, 2018 em 07:39
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    Muito boa matéria Adail relembrando CPI dirigida pelo deputado Bradok bem como requerimento do deputado Plauto Miró Guimarães Filho sobre a realização de um concurso na UEPG.

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