Uma reflexão sobre o tal estado de greve de motoristas e cobradores da VCG

Ontem, por volta das 10 horas da manhã, recebi um telefonema de um empresário, que tem sua loja em frente ao Terminal do Transporte Coletivo da Nova Rússia, revoltado em ver quatro ou cinco membros do sindicato dos motoristas e cobradores da Viação Campos Gerais promovendo uma manifestação que impedia os ônibus de saírem do referido terminal. Pensou em fazer uma bobagem, tocando sua caminhonete para rasgar a faixa na saída do terminal. Melhor pensando, foi conversar com passageiros, que se mostravam indignados, e os convidou para uma espécie de fila indiana para marchar contra os quatro ou cinco dirigentes sindicais, que estavam a comandar uma greve diferente, ou seja, motoristas e cobradores, dentro de seus respectivos ônibus, impedidos pelo sindicato de saírem com seus carros para os devidos destinos. As pessoas ficaram com medo, e ele, indignado, resolveu voltar para sua loja, cuidar de seu negócio.
Interessante esse fato, eis que quatro ou cinco dirigentes ou ativistas sindicais conseguiram impor medo a um grupo de oitenta, cem pessoas, que se encontravam no terminal. Oitenta ou cem pessoas, que estavam sendo prejudicadas, pelos quatro ou cinco elementos do sindicato, que estavam impedindo os ônibus de saírem do terminal. Em situação inversa, ou seja, se essas oitenta ou cem pessoas estivessem prejudicando os quatro ou cinco sindicalistas, estes teriam coragem para enfrentar a pequena multidão, até porque são treinados para agir em situação de conflito, diferentemente dos usuários do transporte coletivo, que se sujeitaram a humilhação de se verem prejudicados.

De outro lado, fazer uma greve em tempos de crise econômica, num país com treze milhões de desempregados, exigindo um aumento real de salário de 5% e um reajuste, também real, de 20% no vale-refeição, é destoar da realidade, é desconsiderar o emprego de seus associados, é desrespeitar os interesses de noventa mil pessoas, que circulam diariamente com os mais de duzentos ônibus da Viação Campos Gerais, pela cidade.

Numa realidade, como a que estamos a viver, não poderia haver espaço para greve. Se mais sensatos, os dirigentes do sindicato dos motoristas e cobradores negociairam, em outros patamares, com os diretores da Viação Campos Gerais, apostando na seriedade dessas pessoas, no seu reconhecido compromisso com a responsabilidade social e, em especial, reconhecendo a importância da empresa, na garantia do emprego, do salário em  dia, da dignidade de todos os seus funcionários.

Tudo isso, sem prejudicar os mais de noventa mil usuários do transporte coletivo urbano, que vão para o trabalho, para a escola, para postos de saúde, casas hospitalares, para a Agência do Trabalhador, em busca de um trabalho. Sim, tem muita gente que utiliza o ônibus para procurar emprego. A empresa, sabidamente, séria e responsável, sim, um tratamento de maior consideração. Afinal de contas, estamos falando da maior empresa privada, na geração de empregos diretos da cidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *