Lewandowski não aceita crítica e manda prender ofensor. E Bolsonaro que é autoritário…

Desde que emergiu para a disputa eleitoral, como candidato a presidente da República, adversários do deputado Jair Bolsonaro passaram a acusá-lo de autoritário e mensageiro de um novo regime militar, como forma de combater a candidatura que nascia vitoriosa.

Ontem, num voo de São Paulo a Brasília, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, ouviu de um passageiro uma crítica de que ele tem vergonha de ser brasileiro, por conta do STF. “Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês”. De pronto, o ministro respondeu: “Vem cá, você quer ser preso? Chamem a Polícia Federal, por favor”.

O autor da acusação, do desabafo, da exteriorização de seu pensamento é um advogado, Cristiano Caiado de Acioli, de 39 anos, de São Paulo, que, ainda, gravou um vídeo defendendo o seu direito de se exprimir, de manifestar a sua opinião, porque, conforme disse, a Constituição lhe assegura tal prerrogativa.

O advogado não falou por ele, só; falou por milhões de brasileiros, eis que o STF, que tem a incumbência constitucional de ser o poder moderador da República, de guardião da Constituição e das leis, tem sido uma casa a inspirar a insegurança jurídica no Brasil. Ainda há pouco, o Supremo Tribunal Federal parecia ser duas instituições, com pensamento diverso, uma da Primeira Turma, que costuma decidir mais consoante com a Constituição e as leis, e outra, da Segunda Turma, que decidia mais de acordo com uma tendência tida como mais garantista. Formada por cinco ministros – Celso de Mello, Dias Toffoli, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Ricardo Lerwandowski -, era comum uma vitória de três a dois, pelos votos de Toffoli, Gilmar e Lewandowski, ficando vencidos Mello e Fachin. Tanto que, em casos envolvendo o ex-presidente Lula, temendo derrota na turma, o ministro Edson Fachin, em mais de uma vez, na condição de relator da Operação Lava Jato, remeteu ao Plenário o exame da situação. Com a ida de Toffoli para a presidência da Casa, a ministra Carmen Lúcia passou a compor a segunda turma, desequilibrando a evidente tendência da antiga maioria, de favorecer causas e acusados ilustres ligados ao PT. Advogados dos réus da Lava Jato, presos e a caminho da prisão, não esconderam a insatisfação dessa mudança de procedimento da Segunda Turma.

Presidindo, como reza a Constituição, a sessão do Senado Federal que cassou o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, o ministro Ricardo Lewandowski, na condição de presidente do STF, aceitou e colocou em votação uma proposta de salvar a ex-presidente da perda de seus direitos políticos, contrariando, flagrantemente, artigo explícito da Constituição. E, por isso, num desentendimento com o ministro Gilmar Mendes, chegou a ser cobrado em sessão do STF. Hoje, os dois caminham juntos.

Ou seja, o STF se mostra dividido, e não raro tem surpreendido, negativamente, a sociedade nacional. Por conseguinte, o discurso do jovem advogado paulista, no voo da Gol de São Paulo para Brasília, não pode ser visto como uma manifestação pessoal, única e localizada. Ele foi intérprete do sentimento de boa parte da população brasileira. De boa parte da população brasileira que não simpatiza com Lula, que não vota no PT.

Longe de uma eventual capacidade de absorver a crítica, o ministro não se constrangeu em ir um pouco além de sua autoridade, mandando chamar a Polícia Federal, para que o ofensor a ela se explicasse.

E o povo, a quem o ministro não esconde sua simpatia, acusa o presidente eleito Jair Bolsonaro de ser autoritário e inspirar um regime de força. Olha só!…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *