A CCR faz delação e chama Gleisi para dançar. Por mais que negue, não é a primeira acusação

O então senador Aloísio Mercadante teria pedido R$ 3 milhões, e recebido R$ 1,7 milhão para sua campanha a governador de São Paulo. Gleisi Hoffmann, por intermédio de seu marido, que era ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, teria feito um pedido também de R$ 3 milhões a CCR, e teria recebido a totalidade do valor solicitado. O intermediário de Mercandante teria sido Emídio de Souza, prefeito de Osasco. Já, o intermediário de Gleisi era ministro do Planejamento do segundo governo de Lula e marido da senadora. Aí, a CCR atendeu e entregou, conforme delação de um seu ex-presidente Renato do Valle, integralmente o dinheiro pedido, em valores parcelados para não chamar muito a atenção, por um intermediário, conforme a delação.

O acordo de delação premiada da maior empresa concessionária de rodovias do Brasil foi firmado com o Ministério Público Estadual de São Paulo. Entretanto, o aparecimento da senadora Gleisi Hoffmann, deputada federal a partir de 2019, parece querer chamar o assunto para o Paraná, eis que, dos nomes revelados até agora, somente o  dela não é de São Paulo.

Petistas, tucanos, emedebistas todos parecem ter combinado uma mesma reação de revolta, de indignação, de protesto contra seus delatores, a quem acusam, horizontalmente, de mentirosos e de quererem reduzir suas penas, nas aleivosias que pronunciam.

Interessante, pois, onde estaria o ganho do delator na mentira? A própria legislação, que avançou na questão da delação premiada, e que levou a assinatura dos governantes petistas, enfatiza que a delação é uma indicação, um caminho a seguir. E o benefício ao delator só existirá, uma vez confirmada a tal indicação, o tal caminho a seguir nas investigações. Será que o ex-ministro Antonio Palocci está, desde a noite de quinta-feira, cumprindo prisão domiciliar, por ter mentido sobre Lula? Por ter mentido sobre Dilma? Por ter mentido sobre mais figuras da política nacional, cujos nomes ainda não vieram a público?

É bem possível que a ex-presidente Dilma Rousseff seja a próxima grande figura de expressão a ser “convidada” a se apresentar à República de Curitiba. E por conta da segunda parte da delação do ex-ministro Antonio Palocci. É que, na primeira parte, Palocci teria se concentrado em falar de Lula. E precisou, seguramente, ir a fundo, muito fundo, para apresentar algum fato novo que ainda não fosse do conhecimento da Lava Jato. Como, quem sabe, a questão da conpra dos caças suecos. E, na segunda parte, Palocci teria se voltado para Dilma Rousseff, de quem, por sinal, foi chefe da Casa Civil. Tudo mentira? Tudo invenção? Tudo conversa fiada?

Mas, os desembargadores da 4ª Região do Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre, libertaram-no da cadeia, em Curitiba, autorizando que fosse cumprir o restante da pena em sua casa, com tornozeleira eletrônica. Sinal de que os desembargadores devem ter acreditado no que ele disse. Mais, devem ter recebido em suas mãos provas das afirmações feitas.

Temos, pois, duas novas e importantes frentes de delações premiadas, a primeira do ex-ministro Antônio Palocci, cujo teor da segunda parte ainda não veio a público, mas está a caminho; e a segunda, de forma surpreendente, da CCR, a partir de São Paulo, com nomes já divulgados de figuras da política paulista, com a inclusão da presidente nacional do PT, a ainda senadora Gleisi Hoffmann, aqui do Paraná. E grande defensora de Lula e de Dilma Rousseff.

Um final de ano para competir, de repente, com o brilho da posse do presidente eleito Jair Bolsonaro. Um brilho de contraste. Uma grande novidade no Brasil.

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