Deputados estariam se mobilizando para afrouxar lei da delação, em defesa própria

A classe política, notadamente a que se encontra no Congresso Nacional, é a expressão menor da dignidade na representação do povo brasileiro. Pelo que tem sido mostrado nos últimos tempos, boa parte de deputados e senadores não tem o menor compromisso com o interesse público, pouco se importando com o que deles seja dito, pois, o que a eles interessa, mesmo, é o interesse pessoal, não raro, visto na prática da corrupção e mesmo com ligações com o crime organizado.

E o povo, nas eleições deste ano, tanto no domingo, 7 de outubro, quanto no domingo, 28 de outubro, deu um grito de independência, fazendo uma vistosa renovação nas duas casas do Congresso Nacional e elegendo presidente da República um candidato que não é de esquerda e que não é ladrão. As pessoas de bem, que são maioria no Brasil, expressaram, nas urnas, a sua indignação com os níveis de roubalheira do dinheiro público, com a presença de figuras desonestas, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, fazendo emergir um novo perfil da classe política nacional.

A despeito dessa enfática revolução do voto um grupo de deputados, de variados partidos, estaria fazendo pressão junto ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para que ele leve ao plenário projetos que alteram a legislação da delação premiada, do caixa dois e sobre a prescrição de crimes de improbidade. Rodrigo Maia, que deseja continuar no comando da Câmara dos Deputados, está a resistir a tais investidas, por não desejar bater de frente com o novo governo, que, sabe ele, ser produto da indignação da sociedade com tudo o que querem os parlamentares que estão a lhe fazer pressão.

Naturalmente, esses deputados estão desesperados, diante do que estaria a lhes esperar logo à frente, com o juiz Sérgio Moro uma vez instalado na cadeira de ministro da Justiça. É que Sérgio Moro ministro representa para eles o que a cruz representa para o Diabo. Tanto os que se reelegeram, quanto os que não continuarão em Brasília, mas que, em comum, têm a cabeça a prêmio, por já estarem denunciados, ou por estarem sob investigação por recebimento de propina, estão no desespero pela sabida possibilidade de que a legislação criminal vai ser aprimorada, no novo governo, para combater com mais vigor a corrupção, a formação de quadrilha, o crime organizado. Enfim, vendo-se naquela situação de que “se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come”, despidos de todo o pudor, pensam ser possível o presidente da Câmara se aventurar em favor do que o povo repudiou nas urnas, desfazendo sua biografia e se incompatibilizando com a nova ordem político-institucional que já está se organizando para entrar em campo, com toda a força e determinação, no dia primeiro de janeiro. Ele já fez a leitura do grau de indignação da sociedade.

Ainda que os eleitos tomem posse no dia primeiro de janeiro, o povo já está a viver o novo tempo, a nova ordem política, a certeza de que vale a pena ser honesto e de que as instituições democráticas não podem mais agasalhar ladrões, corruptos, membros de organizações criminosas. Vai daí, que nem de longe faz sentido uma pauta para salvar ladrões, corruptos, bandidos que ainda se encontrem no Congresso Nacional, mesmo que por pouco tempo, até 31 de dezembro.

Ainda que seja visível esse novo sentimento popular, é preciso vigiar, eis que criminoso, em clima de desespero, não mede consequências. E os que o povo rejeitou nas urnas, continuam no exercício de seus mandatos em Brasília. Mesmo que existam os loucos, seguramente, nem todos são suicidas. Sim, porque, nas atuais circunstâncias, alterar legislação para beneficiar bandidos, não acontecerá de forma indolor. É que, mesmo no Império da Lei, é possível punir o crime, com as regras da Lei.

 

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