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Ponta Grossa está ajudando a varrer a esquerda do Brasil. Já varreu no Paraná

Para as eleições municipais de 2020, é bom levar em conta a ventania produzida pela candidatura de Jair Bolsonaro, em todo o Brasil, contra o PT e a esquerda, de modo geral, nas eleições deste ano. Essa varredura contra a esquerda vai perdurar até a eleição municipal e além dela. E é bom que se diga, desde logo, que Ponta Grossa é uma cidade conservadora, que não gosta do PT, que não gosta da esquerda.

Nos últimos 40 anos, a cidade elegeu dois prefeitos de esquerda, apenas, e por circunstâncias especiais. Em 1976, o jovem deputado estadual Luiz Carlos Zuk, do MDB, foi eleito prefeito, derrotando o ex-prefeito Cyro Martins. Como era o período do regime militar, em que haviam apenas dois partidos políticos, Arena, situação, e MDB, oposição, o MDB era visto como partido de esquerda. E a razão da vitória de Zuk foi porque havia uma rejeição ao grupo do ex-prefeito Cyro Martins, que, vitorioso em 68, elegeu o seu sucessor em 72, o empresário Luiz Gonzaga Pinto, cujo governo foi concluído pelo médico Amadeu Puppi. Oito anos de poder foram suficientes para desgastar, então, o grupo de Cyro Martins, surgindo, aí, a candidatura do jovem deputado Luiz Carlos Zuk como oposição a Cyro. E isso lhe deu a vitória nas urnas.

Mais recentemente, o deputado Péricles de Holleben Mello, do PT, ganhou a eleição de prefeito, em 2000, derrotando o prefeito Jocelito Canto. A vitória de um candidato do PT, na cidade conservadora de Ponta Grossa, beirou a um escândalo. Entretanto, a vitória de Péricles foi a alternativa que restou ao eleitorado, que não queria conferir um segundo mandato ao prefeito Jocelito Canto. Tanto neste caso, quanto no de 74, não houve o voto da preferência, mas, sim, o voto da eliminação. Para derrotar Cyro, a vingança foi a vitória de Zuk, da mesma forma que, para derrotar Jocelito, o veículo da vez foi a candidatura de Péricles.

E, neste caso de esquerda, podemos relacionar, hoje, o deputado federal Aliel Machado, que, eleito vereador em 2012 e deputado federal em 2014, pelo PCdoB, se mudou para a Rede Sustentabilidade e, por fim, para o PSB, sem tirar os pés da esquerda, o que explica a sua reeleição. E Aliel, fiel às origens, está na campanha de Fernando Haddad para a Presidência da República. Esse fato poderá lhe servir de fardo em 2020, fazendo com que possa perder, pela segunda vez, uma campanha para prefeito.

O segundo nome da esquerda é o ainda deputado estadual Márcio Pauliki, que, contrariando seu próprio perfil ideológico, foi buscar guarida num partido de esquerda, o PDT, pelo desejo de ter o comando do partido, não levando em consideração o fato de Ponta Grossa não gostar do PDT, por não gostar de seu fundador, o ex-governador Leonel Brizola, que foi um dos agitadores de 64, que ajudaram a provocar a derrubada do presidente João Goulart e, em consequência, o advento do regime militar. Pelo PDT, Pauliki se elegeu deputado estadual, andando de braço dado, para cima e para baixo, com a senadora Gleisi Hoffmann, do PT, hoje, deputada federal. Do PDT, Pauliki foi para o Solidariedade, pouco se importando de, na condição de empresário, ingressar num partido de sindicalista, que defende a volta do imposto sindical. Ainda que tenha feito uma bonita votação, não se elegeu deputado federal. Mas, na campanha esteve ao lado de Requião, para senador, e apoiando o sobrinho de Requião, João Arruda, para o governo do Estado.

De princípio, temos esses dois nomes da esquerda, como eventuais candidatos a prefeito em 2020, que haverão de enfrentar um nome do centro, com o apoio do prefeito Marcelo Rangel, do deputado estadual Plauto Miró Guimarães Filho e do deputado federal Sandro Alex. E com o governador Ratinho Júnior no palanque. E mais R$ 55 milhões em obras de asfalto na cidade. Parada indigesta para os dois candidatos de esquerda.

 

 

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