Assim como no Brasil, eleição criou um novo mapa político no Paraná

Com o cartão vermelho do eleitor para as três maiores e tradicionais lideranças políticas do Paraná, os senadores Álvaro Dias e Roberto Requião e o ex-governador Beto Richa, mais a ausência de uma liderança acreditada de oposição, eis que, hoje, só existe a liderança emergente do governador eleito Carlos Roberto Massa Ratinho Júnior, sem a menor desconsideração aos dois senadores eleitos, Flávio Arns e Oriovisto Guimarães.

Diferentemente do que aconteceu com a eleição de Ratinho Júnior, que foi a resposta do eleitor à sua proposta de renovação, com um discurso afirmativo e um projeto de governo consistente e convincente, a vitória dos dois senadores eleitos foi muito mais pela onda de renovação que varreu o Paraná, onda essa criada pelo governador eleito e pela candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, também vitoriosa no Paraná no primeiro turno e com ares de vitória maior neste segundo turno, do que, propriamente, por prestígio pessoal de qualquer dos dois. A registrar o valor pessoal de ambos os candidatos, eis que, com históricos de pessoas de bem e dignas do cargo que pleiteavam, ajustaram-se, inteiramente, à ânsia da sociedade, beneficiados, inclusive, pela associação que o eleitor fez das duas candidaturas com as outras duas candidaturas, do governador eleito e do presidente que venceu no primeiro turno. Enquanto Oriovisto se beneficiou do apoio explícito do governador eleito, no pedido de que o seu eleitor votasse nele para senador, o que foi muito forte, Flávio ficou acima de seu partido, a Rede Sustentabilidade, fazendo prevalecer a força de seu nome e o conhecimento do eleitor de sua vida pública limpa e decente. E, ao fazer a sua própria chapa – Ratinho Júnior para governador, Bolsonaro para presidente e Flávio e Oriovisto para senadores -, o eleitor descartou Cida Borghetti e João Arruda, para o governo do Estado, Haddad, Álvaro e Alckmin para presidente da República, e Beto Richa e Roberto Requião para o Senado da República. Ou seja, o eleitor paranaense quis fazer uma limpeza geral, num mesmo dia e num mesmo momento. Com isso, deixou claro o que deseja e o que espera daqui para a frente.

Enquanto a sucessão presidencial ainda depende de uma definição, daqui a quatorze dias, no caso do Paraná, já é possível se debruçar em cima da nova realidade. E quem mais tem de se debruçar em cima dessa nova realidade, é o deputado estadual reeleito, o deputado estadual eleito, o deputado federal reeleito, o deputado federal eleito, os dois senadores eleitos, o vice-governador eleito, o governador eleito. Será desse conjunto de homens e mulheres que haverão de surgir feitos e fatos que demonstrarão à sociedade até onde a nova realidade estará, ou não, fazendo sentido, estará, ou não, inaugurando um novo tempo e um novo estilo de fazer política.

E esse novo tempo e esse novo estilo passam por um novo proceder, em que a moralidade no trato com a coisa pública vire regra no agir do deputado estadual, do deputado federal, dos senadores, do vice-governador, do governador e de cada um de seus secretários. Que a realidade de hoje, em que a corrupção virou regra geral e a honestidade exceção, seja alterada, mudada, transformada. Os exemplos dessa regra vigente estão aí a comprovar a razão do velho dito popular, segundo o qual “o crime não compensa”. Aliás, líderes políticos, que estão presos e desmoralizados, grandes empresários, que estão presos e desmoralizados, seriam as pessoas ideais a proferir palestras hoje para a sociedade paranaense, para a sociedade brasileira sobre esse e velho e surrado ditado: “O crime não compensa.” É que hoje esses líderes todos descobriram que eles, apesar de todos os esforços, não conseguiram revogar essa norma tão simples de que “o crime não compensa”. Todo o dinheiro roubado, sabem eles hoje, não compensa pela desmoralização havida e a perda do respeito junto às pessoas de bem, simples, humildes e até ricas algumas. Diferentemente deles, todas essas pessoas deitam e dormem. Em paz.

E a nova realidade, que a sociedade espera, é essa de que, de fato, “o crime não compensa”. Mas, que a honestidade seja expressão do caráter e não do medo de ir para a cadeia.

Quem quiser, pois, fazer Política que se volte para essa nova realidade.

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