Ao conversar com Joaquim Barbosa, Haddad parece que quis fazer graça em sua campanha

Fernando Haddad, que está dispensado de continuar vindo à Curitiba para visitar seu chefe, o criminoso, condenado e preso, ex-presidente Lula, resolveu preencher seu tempo, então, com conversas diferentes, em busca, quem sabe, de um fato novo que produza um efeito bombástico em sua campanha, capaz de reduzir a grande diferença que o afasta do deputado Jair Bolsonaro, nessa corrida, praticamente já perdida, pela Presidência da República.

Na quinta-feira, visitou a CNBB, na esperança de encontrar a mesma igreja engajada ao PT dos tempos do hoje preso Lula, quando disputou suas eleições para presidente da República, em 89, 94, 98 2002 e 2006. Se, houve uma primeira frustração na quarta-feira, quando o PDT anunciou um apoio crítico a sua campanha e o seu ex-candidato a presidente Ciro Gomes, ato seguinte, embarcou para a Europa, a conversa com o cardeal Sérgio da Rocha também não trouxe nenhuma alegria a Haddad, eis que o presidente da CNBB se limitou a colocar temas caros para a Igreja Católica, como questões sociais, defesa do Meio Ambiente e, em especial, combate à corrupção. Sem nenhum atrelamento, como no passado. Ou seja, Haddad saiu na CNBB sem poder contar vantagem. Não contente, quis protagonizar o feito mais irônico de sua campanha e de todas as demais campanhas eleitorais do Brasil, ao visitar o ex-ministro Joaquim Barbosa, que presidiu o STF e foi o relator da famosa Ação Penal 704, conhecida que ficou como Mensalão, que mandou para a cadeia os primeiros figurões do PT, como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e João Paulo Cunha. Vale ressaltar que a expressão “organização criminosa”, foi cunhada pelo ministro Joaquim Barbosa, nos votos contundentes que proferiu na condenação a essas figuras do PT e de outras conhecidas figuras do PP, PR e outros partidos. Nomeado pelo então presidente Lula para o STF, Joaquim Barbosa se transformou em algoz do PT, aos olhos dos petistas, e no primeiro grande herói dos brasileiros no combate a corrupção, abrindo caminho para o desfazimento da fama de que gente de colarinho branco nunca ia para a cadeia no Brasil. Caminho que vem sendo seguido pelo juiz Sérgio Moro, outro herói nacional.

O teor da conversa não foi revelado, mas, considerando a audácia de Fernando Haddad em ter procurado logo quem decretou a primeira grande baixa no PT e mostrou, ao Brasil todo, esse partido como sendo uma organização criminosa, e já beirando ao desespero e disposto a tudo para, de alguma forma, produzir um feito de grande impacto a favor de sua candidatura, não custa imaginar um Fernando Haddad fazendo ao ex-ministro Joaquim Barbosa um convite para ser seu ministro da Justiça, no improvável e hipotético novo governo do PT, comandado pelo Lula, na imagem subalterna e servil do autor do convite. Talvez, tenha se inspirado na infeliz iniciativa do ex-presidenciável Álvaro Dias, no convite descabido e público que fez ao juiz Sérgio Moro para ser seu ministro da Justiça.

Voltando a Haddad, o figurino de candidato do PT pode, muito bem, ter feito tal jogada, numa esperança doentia de que, na hipótese de aceitação ao convite, poder não apenas fazer o anúncio público, como a demonstrar que o seu hipotético governo abriria uma guerra no combate a corrupção, tendo no comando dessa guerra um grande e respeitado general de cinco estrelas, chamado Joaquim Barbosa.

Saiu do encontro, dizendo apenas que Joaquim Barbosa poderia ser útil ao Brasil. O que quis dizer com “poderia ser útil”?

Alguém, algum dia, poderá dizer que esse registro não é nenhum ato de alucinação do jornalista, embora tenha sido do candidato.

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