Bolsonaro só poderia debater com o preso. Debater com o preposto é pura perda de tempo

Em busca de fato novo, o candidato subalterno de Lula tenta criar expectativa ao desafiar o deputado Jair Bolsonaro para um debate, dizendo, de forma irônica, que, se for preciso, vai até a uma enfermaria para discutir com o candidato do PSL. Na verdade, Fernando Haddad, perdendo por 16 pontos na pesquisa do Datafolha de quarta-feira, precisa aparecer, provocar o adversário, tentar um fato novo, de qualquer maneira, para tentar reverter o tamanho da distância que o separa do candidato vencedor.

Entretanto, o candidato Jair Bolsonaro não tem nada a ganhar em debater com Fernando Haddad, pelo simples fato de que o candidato do PT é um preposto do chefe da organização criminosa, que está preso, e a quem Haddad, como primeiro ato de campanha neste segundo turno, foi visitar na cadeia, para receber ordem e orientação. Mais, ao dar entrevista após as ordens recebidas do preso, Haddad disse que, em caso de ganhar a eleição, vai subir a rampa do Palácio do Planalto com “o presidente Lula” e “Lula vai voltar a nos governar”. Não pode haver submissão criminosa maior. Na Argentina, na década de 70, Hector Campora ganhou a eleição para presidente, em seguida, trouxe de volta ao país seu líder, Juan Domingo Peron, que estava exilado na Espanha, renunciou ao cargo para provocar nova eleição, vencida por Juan Domingo Peron. Campora, ao menos, teve a dignidade de renunciar; aqui, Haddad confessa que vai ser presidente, mas não vai governar. Ou seja, se desfaz da própria personalidade e diz, à luz do dia, que quem vai dar as ordens na Presidência da República é o criminoso, que está preso e que ele pretende soltar, antes mesmo de tomar posse no Palácio do Planalto. O senador Álvaro Dias sempre disse que “o PT banaliza a corrupção”. No caso presente, Haddad banaliza a irracionalidade, a irresponsabilidade, o desfazer-se da autoridade maior.

Por todas as razões da campanha eleitoral, e, em especial, pelo fato de estar muito à frente de Haddad, Jair Bolsonaro deve dar sequência à sua campanha, conversando com seus seguidores e discutindo com segmentos importantes da sociedade, sem dar ouvidos aos desafios hilariantes de quem está perdendo a eleição. Debater com Haddad é pura perda de tempo, primeiro, porque Haddad já se desfez da autoridade do cargo de presidente da República, e depois porque, no PT, não é ele quem manda e nem será ele quem irá montar a equipe de governo, em caso de vitória. Vitória que não acontecerá, porque o eleitorado já demonstrou, com clareza, no primeiro turno que não quer mais o PT no governo.

Se não deve debater com Haddad, por ser perda de tempo, Jair Bolsonaro deve cuidar de sua campanha. E deveria começar pela despreparada equipe de marqueteiros que tem, eis que, na volta da propagada eleitoral gratuita, deveria, antes de tudo, ter elaborado peças publicitárias que exaltassem os feitos do primeiro turno, como a vitória expressiva com uma diferença de 18 milhões de votos, 46,03 a 29,28 dos votos válidos. Uma campanha para cima, alegre, ar de vitoriosa, e não peças ridículas de candidato que teria empatado com o segundo colocado. Críticas, de campanha de candidato vitorioso, precisam, no mínimo, ser inteligentes. E a equipe de Bolsonaro é muito ruim, fraca e despreparada. Se Bolsonaro dependesse dessa equipe de televisão sua campanha estava perdida, pois, só está vencendo pelo brilho próprio, pelo mito em que se transformou, a ponto de, sobrevivendo ao atentado que sofreu, sua campanha não ter perdido o ritmo. E, pelo visto, seus marqueteiros medíocres não souberam disso.

De repente, tem gente do PT nessa equipe de marqueteiro. Seria a única explicação.

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