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“Lula, quem mandou matar Celso Daniel?”, a pergunta misteriosa de Álvaro a Lula

No debate de ontem, da Rede Globo, o senador e presidenciável Álvaro Dias criou uma expectativa, já na sua primeira intervenção, ao questionar o candidato Fernando Haddad, do PT, de que, ao final do programa, entregaria a ele uma pergunta, por escrito, para que ele entregasse ao ex-presidente Lula, nas suas visitas de toda a segunda-feira à sua prisão, em Curitiba. Como o teor não foi revelado, a expectativa perdurou ao longo de todo o debate, em que Álvaro priorizou a discussão sobre o atual sistema de governo, que comporta um histórico e inimaginável processo de corrupção, que caracterizou o PT, em seus quatro seguidos períodos de governo.

Encerrado o debate, nas entrevistas dos candidatos aos jornalistas, Álvaro satisfez a curiosidade geral, mostrando o papel, com a pergunta escrita à mão, até para que o tal papel fosse fotografado, e, assim, Lula pudesse tomar conhecimento antes mesmo da segunda-feira próxima.

No papel, a indagação: “Lula, quem mandou matar Celso Daniel? E as sete testemunhas do crime? Você sabe.”

Essa pergunta, por sinal, era esperada, não no debate de ontem, mas no primeiro debate dos candidatos, especialmente, se a Justiça Eleitoral tivesse confirmado o pedido de registro da candidatura do ex-presidente Lula. E, no caso, imaginava-se que o autor dessa dura indagação fosse o candidato Jair Bolsonaro, que, com Lula candidato, era o que aparecia em segundo lugar, em todas as pesquisas.

Sem Lula, eis que o senador e candidato Álvaro Dias criou uma expectativa, ao início do debate, e a satisfez, encerrado o debate, exibindo o papel, com a pergunta, aos jornalistas que o entrevistaram. E a pergunta se ajusta, muito bem, no proceder de Álvaro, que tem sido um ferrenho combatente contra o PT, seus governos e desgovernos, contra Lula e contra Dilma. Por conseguinte, como ele próprio afirmou ontem aos jornalistas, essa é uma pergunta que não pode calar, porque o povo brasileiro tem o direito de conhecer a história completa do episódio criminoso da morte do prefeito Celso Daniel, de Santo André. Há também o mistério da morte de Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas, e igualmente lembrado por Álvaro ontem, além de ter informado que os irmãos de Celso Daniel deixaram o Brasil, temendo serem assassinados também. Se revelado, na sua última intervenção no debate, seguramente, teria sido o fato relevante do confronto final desta campanha, justamente, por atualizar um crime hediondo, que até hoje se arrasta em gavetas da Polícia Civil de São Paulo, como se fora um crime comum, e não um crime, sabidamente, político. Porém, no instante em que Álvaro tornou público o conteúdo de sua pergunta, traz o assunto para o arremate desta campanha, com a invocação para que Lula responda a pergunta do crime havido próximo de sua candidatura vitoriosa à Presidência da República, em 2002.

Assim como Álvaro endereçou a Lula a pergunta, poderia tê-la estendido, por exemplo, ao ex-ministro José Dirceu, que, em liberdade assegurada pelo hoje presidente do STF, ministro Dias Toffoli, anda falante, por aí, anunciando até mesmo uma “tomada do poder”. É que ele sabe tanto quando Lula da sorte do antigo “companheiro”, que seria, inclusive, o coordenador da vitoriosa campanha de Lula à Presidência da República.

E, sobre o candidato Álvaro Dias, parece claro que Álvaro deveria ter iniciado sua campanha com o discurso com que a está encerrando, muito mais afirmativo e propositivo do que aquela história, pouco convincente, do menino da roça em Maringá e do uso indevido da figura do juiz Sérgio Moro para ser “seu” ministro da Justiça.

A despeito disso, Álvaro deixa uma importante contribuição ao Brasil ao cobrar o esclarecimento da morte do prefeito Celso Daniel. E cobrar de quem sabe, de Lula, como diz no papel manuscrito.

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