fbpx

Beto perdeu a noção da realidade ao pedir para as pessoas se colocarem no lugar dele

O ex-governador Beto Richa, por não ter sido, processado e condenado, tem todo o direito de se manter candidato ao Senado da República. Direito que não lhe assiste, porém, é o de desrespeitar as pessoas ao pedir para que elas se coloquem no lugar dele e, assim, se imaginarem com suas casas invadidas pela Polícia, suas mulheres sendo submetidas a terrorismo e as mães também terem suas casas invadidas. Antes de fazer essas colocações inadequadas, Beto Richa deveria explicar as razões pelas quais a Polícia esteve em sua casa, “fez terrorismo” com sua esposa e foi à casa de sua mãe. É sabido que a Polícia só foi à sua casa e à casa de sua mãe, por determinação judicial, em cima de uma investigação feita, que remeteu para a prática de atos em desacordo com a ética no trato da coisa pública.

O ex-governador, ao se decidir pela manutenção de sua candidatura e, assim, pela continuidade de sua campanha eleitoral, deveria se valer de um discurso mais objetivo e afirmativo, capaz de desfazer as acusações que lhe pesam, eis que não lhe cai bem a tentativa de se passar por vítima de eventual truculência policial – o que não houve. Por sinal, até para o cidadão comum faz mal ouvir alguém, que foi preso por determinação judicial, querendo se desfazer das razões dos atos judiciais, por meio de uma fala vitimizada, que soa apelativa e despida de credibilidade.

Em outra coluna, já dissemos aqui que, se a metade das acusações contra o ex-governador for falsa, da mesma forma, como falsa for a metade de suas versões pessoais, já haveria razão suficiente para a confirmação do escândalo de tudo o que foi revelado e que chegou ao conhecimento público. Ou seja, em seus dois períodos de governo, Beto Richa não cuidou da lisura de seu proceder, não dimensionou o tamanho do terreno minado que estava a demarcar, não tratou, sequer, de preservar a memória do “grande brasileiro que foi José Richa”.

Contrariamente ao que dizem seus advogados e ao que decidiu o questionado ministro Gilmar Mendes, que determinou sua soltura da cadeia, as autoridades judiciais e policiais que investigaram e que determinaram a prisão, em tempo coincidente de campanha eleitoral, longe de comprometer a imagem do candidato, prestaram valiosa contribuição ao cidadão de bem, ao eleitor comum, em mostrar o perfil de um candidato ao Senado da República, candidato a ter uma cadeira na Casa de Ruy Barbosa. Oxalá, nossas autoridades judiciais e policiais pudessem exibir ao grande público, à sociedade, como um todo, outras figuras da vida pública com perfil assemelhado ao que determinou a prisão do ex-governador do Paraná. Haveria um encurtamento de prazo na melhor qualificação da classe política brasileira.

Menos mal, que já temos um ex-presidente da República investigado, processado, condenado e preso, a despeito de continuar dizendo que é inocente e de estar tendo uma incrível e desmoralizante, para os nossos sistemas judicial e político, participação na campanha eleitoral, tendo transformado seu espaço na cadeia em comitê eleitoral, onde recebe seus liderados e de onde dá ordens e orientações para o curso da campanha eleitoral, para o discurso de seu candidato, feito à sua imagem e semelhança, e para o agir da militância petista. Mesmo negando tudo, pelo menos, está preso. Pelo menos, o ministro Gilmar Mendes não teve oportunidade, ainda, de soltá-lo.

Lula quis ser candidato, mas a Justiça negou-lhe tal direito, porque a Lei não autoriza um condenado e preso ser candidato a merecer o voto de confiança do eleitor. Ao contrário de Lula, Beto se mantém candidato, por não ter respondido a processo e, por via de consequência, não ter sentença judicial de condenação. Mas, como Lula, está a se proclamar inocente e vítima. Sem ter a seu favor a militância tucana, que é menor e ajuizada, como Lula tem a militância petista, que é considerável e que encarna a viseira do fanatismo.

Lula, por convicção, não considera as pessoas de bem; Beto, pela formação que teve dos pais, deveria respeitar esses cidadãos. E nunca mais pedir para que se coloquem em seu lugar. O lugar em que Beto se meteu, pertence somente a ele; não é lugar para o cidadão de bem. Logo, se não respeitou esse cidadão de bem, enquanto governador, que respeite agora, na condição de acusado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *