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Beto chama amigos para um abraço de afogado, e descobre que os amigos eram do governador

Prefeito é amigo do governador. Seja o prefeito quem for, também não importando o nome do governador. Sempre foi assim e assim sempre será. Só quem não sabia dessa verdade clara, como a luz do dia, é o ex-governador Beto Richa, ao chamar prefeitos de todo o Paraná para “,um abraço de afogado”, em seu comitê eleitoral, nesta terça-feira. Pelo que foi noticiado, Beto esperava a presença de, pelo menos, 150 prefeitos, mas teriam comparecido, apenas, 26. Beto não se deu conta, ainda, da gravidade das acusações que lhe pesam e que o levaram à cadeia. É claro que o prefeito que foi amigo do governador Beto Richa, hoje, é amigo da governadora Cida Borghetti e será amigo, pelo que dizem as pesquisas, do governador Ratinho Júnior, a partir do dia primeiro de janeiro. Os prefeitos não eram amigos do Beto; eram amigos do inquilino do Palácio Iguaçu.

É possível que o ex-governador tenha imaginado que poderia, de alguma forma, repetir Lula, na mobilização dos petistas na sua prisão. Acontece que Beto não criou militância no PSDB. E os poucos militantes tucanos estão muito longe de se assemelharem ao fanatismo dos petistas. O fanático tem viseira e não enxerga, nem reconhece os fatos que não lhe interessem. É, por isso, que os petistas não querem saber – e contestam – as razões que determinaram a prisão de Lula. Para eles, Lula é o salvador da pátria, e pronto. Se roubou, deixou de roubar, se foi chefe de quadrilha, ou se é a própria quadrilha que roubou o País, pouco importa.

Beto, muito mais por teimosia e capricho, pode até manter sua candidatura ao Senado, porque, para todos os efeitos, não tem condenação judicial e, assim, não se encontra inelegível. Como isso é uma decisão pessoal e só depende dele, faz o que melhor entender. Diferente, entretanto, é imaginar que possa ter a solidariedade pública de lideranças políticas que têm interesse direto nas eleições de logo mais, daqui a vinte dias. É claro que ninguém quer aparecer numa fotografia, ou numa filmagem de televisão, ao lado de quem foi preso, na terça-feira da semana passada, por conta de graves acusações de crime de corrupção.

Afogado nas denúncias conhecidas e nas que estão por aparecer ao distinto público, nem prefeito, deputado, ex-prefeito, ex-deputado quer se aventurar ao risco do abraço de um afogado, pela sabida consciência de que pode se afogar, também. Logo, que o afogado se bata sozinho nas correntezas das águas revoltas que escolheu para nadar. E nem tem o direito de dizer que “é nestas horas, que se conhece os verdadeiros amigos”, porque, no caso, quem deixou de ser “verdadeiro amigo” foi ele próprio e não os antigos amigos do governador, que, de certa forma, até poderiam ter uma ou outra ligação mais pessoal com o Beto Richa.

Se Beto demonstrou não ser amigo da sua mulher, do seu irmão e de seus filhos, como denuncia Tony Garcia, por tê-los envolvidos nessa trama toda, levando a mulher e o irmão para a cadeia, junto com ele, parece claro não ser amigo de mais ninguém. Nem dos seus próprios antigos amigos, que está, agora, a chamá-los de criminosos, mentirosos, por conta de revelações que estão a fazer a Justiça das malandragens que andou cometendo nos cargos relevantes de prefeito de Curitiba e governador do Paraná.

Em tempos de Operação Lava Jato, que tem sua sede na “República de Curitiba”, prefeito de Curitiba e governador do Paraná, cuja sede do governo é Curitiba, jamais poderia se desmerecer aos olhos dos curitibanos de bem e dos paranaenses honrados, que se mostram, neste momento, envergonhados perante os brasileiros que ostentam dignidade pessoal.

E que, unidos e reunidos, precisam, mais do que nunca, cuidar das eleições, especialmente para presidente da República, para não permitir a volta dos petistas ao Palácio do Planalto. Mais um pouco, e Beto ouvirá alguém dizer dos “petistas, parentes de Beto    “.

 

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