Gilmar solta Beto, mas Gilmar não devolveu a Beto o respeito perdido do povo do Paraná

O ministro Gilmar Mendes, do STF, tem bastante poder, mas não tem todo o poder. Pode mandar prender, o que não tem feito, e pode mandar soltar, o que tem feito bastante. Entretanto, em seu poder de mandar soltar presos que desonraram a confiança do povo fica a lhes dever a devolução do patrimônio que tinham ao adentrar as celas, o respeito da sociedade. Ou seja, o ministro Gilmar Mendes não tem todo o poder. O que preocupa, contudo, é que o poder que Gilmar Mendes tem é colocado a serviço do desserviço à sociedade, por se constituir num grande complicador das forças que, corajosamente, estão dispostas a levar avante a cruzada no combate a corrupção sistêmica no Brasil. Gilmar é aliado do ministro Dias Toffoli, que mandou soltar José Dirceu e, agora, impede o juiz Sérgio Moro de dar continuidade ao processo contra Guido Mantega, e aliado do ministro Ricardo Lewandowski, que interrompe a votação, com um pedido de vistas, na defesa de Lula para que o ex-presidente seja libertado, mesmo que 7 votos contra um já tivessem sido dados para a manutenção da prisão. Então, Gilmar Mendes mandou soltar o ex-governador Beto Richa, sua esposa, seu irmão e mais o séquito restante que foi levado à prisão com ele, na terça-feira. Todos de volta ao lar, ao doce lar, mas não mais ao doce ambiente da rua, ao doce ambiente dos requintados restaurantes e clubes sociais. Aliás, deveriam requerer isso também a Gilmar Mendes.

Como o ex-governador Beto Richa acusou o seu antigo amigo Tony Garcia de ter uma vida complicada, sem credibilidade, indagando qual a palavra que merece mais crédito, se a dele ou a do antigo amigo, hoje delator, parece que a melhor resposta seja que nenhum dos dois tem credibilidade, que a palavra de nenhum deles merece confiança. Se Tony Garcia foi amigo por tantos anos, e agora é acusado de não ter credibilidade, Beto deveria ter explicado como conviveu por tanto tempo com o agora inimigo e delator, a quem acusa e desclassifica.

Numa avaliação razoável, de fazer um meio a meio no proceder dos dois, ou seja, digamos que nem tudo o que o delator falou é verdade, da mesma forma, como nem tudo o que está negar o ex-governador é verdade, teremos verdades e mentiras, de lado a lado, e tudo versando sobre malandragem com o dinheiro público. Parece mais que o suficiente para não se acreditar na palavra de quem, pelo voto de confiança do povo, foi alçado a condição singular de governador do Estado. Lembrando que Beto, ao tempo de governador, teve relações cordiais com os delatores de hoje, como Tony Garcia, Maurício Fanini, Nelson Leal Júnior. E, hoje, todos são criticados por Beto e considerados como criminosos que fazem delações para tentar abrandar suas penas.

Aliás, o PT usa muito esse tipo de argumento. E, aí, já nem se sabe mais se Beto é do PSDB ou do PT, se Lula é fundador do PT ou do PSDB, E José Dirceu e Pepe Richa. E José Genoíno e Ezequias Moreira, João Vacari Neto e Luiz Abi Antoun. E, por aí, a coisa segue, o que evidencia que, no mundo do crime, não há ideologia, nem partido, nem diferenças, pois, todos são iguais.

Por fim, o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) merece credibilidade. E não teria pedido a prisão de Beto Richa e de mais quatorze pessoas de seu grupo, de seu relacionamento,  talvez comparsas, se não tivesse, em mãos, farta e segura documentação que atesta o comprometimento moral do ex-governador no trato da coisa pública.

Entre o GAECO e Gilmar Mendes, o GAECO tem a confiança e o respeito da sociedade, por ser uma instituição do bem. Assim, Beto pode voltar para a sua campanha para o Senado e pedir votos para Gilmar Mendes, talvez, para Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, porque, muito provavelmente, por aqui no Paraná, seus antigos eleitores possam-no considerá-lo um bandido, um criminoso, exatamente, como o ex-governador considera, hoje, amigos de muitos anos que resolveram falar um pouco do que sabem dele à Justiça.

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