Beto e Fernanda, mais que terem sido desonestos, cometeram a ingratidão, que dói, que machuca

Para quem foi candidato a vereador em Curitiba, e perdeu, mas na sequência de se elegeu, duas vezes, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito de Curitiba, por duas vezes, e governador do Paraná, também por duas vezes, o exercício de tais funções públicas deveria se constituir em motivo de justo orgulho pessoal, de razão da maior herança a ser deixada aos filhos e netos, de motivo mesmo de orgulho aos seus eleitores, que o consagraram nas urnas para prefeito e nas urnas para governador do Estado.

E, especialmente pela oportunidade, vale dizer praticamente o mesmo para o senador mineiro Aécio Neves, jovem deputado federal que chegou a presidir a Câmara dos Deputados, eleito governador do seu Estado, em duas oportunidades, eleito senador e, por muito pouco, quase foi eleito presidente da República.

Os dois, Beto e Aécio, pela contemporaneidade de idade e de vida pública, exibem o perfil de jovens que, nunca tendo trabalhado, profissionalmente, se dedicaram a esportes caros, eis que sempre puderam gastar o dinheiro da família poderosa e desfrutar do prestígio de suas respectivas famílias, tanto lá nas Minas Gerais, quanto aqui no Paraná. Como o pai do primeiro e o avô do segundo fizeram política juntos, o filho e o neto acabaram se tornando próximos, amigos mesmo, correligionários, inclusive. E quis o destino que os dois governassem seus Estados.

Sem tradição em atividades profissionais, os dois, na sombra dos prestígios do pai e do avô, se lançaram cedo na política e da política passaram a viver. Morrem pai e avô, e filho e neto, ao contrário da consciência que deveriam ter em preservar e respeitar a memória de ambos, pela bonita história que escreveram e pelo exemplo de vida pública digna que deixaram, se entregaram aos prazeres do poder e, ambiciosos, se deixaram levar pelos atrativos do mesmo poder em enveredar por práticas estranhas ao proceder do pai e do avô. Hoje, o primeiro está preso, aqui no Paraná, e, candidato ao Senado, já estaria a caminho da desistência pela natural desmoralização e constrangimento criado ao partido e aos seus aliados políticos, enquanto o segundo, que já chegou a ter prisão domiciliar decretada e cumprido uma pena curta, é candidato a deputado federal, lá nas Minas Gerais, pela inviabilidade de buscar sua reeleição ao Senado. Tanto um, quanto o outro, tendo por causa da desonra, a imoralidade.

Deixando o mineiro na terra dele, que tem o acerto de contas com o seu povo, embora tenha disputado a Presidência da República e tido voto no Brasil inteiro, o que nunca mais se repetirá, importa nos debruçarmos em cima desses acontecimentos chocantes, aqui em nosso Paraná, produzidos pelos filhos e nora do grande José Richa. Beto, o líder político, levou o irmão, que carrega o nome do pai, para a mais importante secretaria de seus dois governos, ao que se vê, agora, nem tanto para ser útil ao Paraná, quanto a agir nas sombras, no mundo do crime, para cuidar da fortuna pessoal da família. E a nora, que tristeza, eis que sempre se mostrou uma mulher dinâmica, politicamente ativa e devotada a grandes e importantes programas sociais, tanto ao tempo do marido prefeito da Capital, quanto ao tempo do marido governador do Estado.

O casal Beto e Fernanda Richa conquistou, mais que votos, o respeito do povo do Paraná. E respeito é coisa séria, por ser um sentimento nobre do ser humano, e que representa admiração, consideração, confiança. Sim, confiança absoluta. Quem respeita, confia.

Pois, o ex-governador Beto Richa deu um chute de craque, vale repetir, em tudo isso. E arrastou consigo, nessa senda do crime, a esposa. O irmão não, porque o tal Pepe Richa nunca exibiu pendores que o fizessem credor do respeito das pessoas. Mas, Beto e Fernanda, sim. E a ingratidão é a mais doída atitude do ser humano. A ingratidão dói muito, desilude, desencanta, machuca.

Pouco importa, daqui para a frente, o destino de Beto e Fernanda. O povo do Paraná não os conhece mais. O povo do Paraná vai se esforçar para superar essa dor da traição, essa ingratidão desmedida, e seguir, honrado, o seu caminho. Por ser um povo honrado, não quer mais a companhia de Beto e Fernanda. E de ninguém mais com o sobrenome Richa.

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