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Prisão de Beto, esposa e irmão é uma mancha na memória do pai, José Richa

O instituto da reeleição para os cargos do Poder Executivo, instituído ao tempo do primeiro mandado do presidente Fernando Henrique Cardoso, que era para compensar o mandato de quatro anos, mas que, na realidade, nas democracias mais maduras e consequentes, se presta a importante instrumento de valorização da própria democracia, por oferecer ao eleitor a oportunidade de aprovar, ou desaprovar, o primeiro mandato de um governante, no Brasil, acabou desmoralizado. E desmoralizado pelos próprios beneficiados, que, ao contrário de se engrandecerem aos olhos da sociedade pela realização de um conjunto importante de obras públicas, buscam obras públicas que mais os beneficiem na propina, na desonestidade, na corrupção.

No planto federal, temos o criminoso exemplo do PT, nos dois governos de Lula e no primeiro governo e mais um ano de Dilma. A corrupção sempre houve em todos os governos. Entretanto, o PT foi além de todos os limites, e, agora mesmo, o ex-ministro Antonio Palocci está revelando que Lula, enquanto presidente, comandava, em pessoa, o achaque a empresários e financiadores de campanha e do enriquecimento próprio.

Eis que, hoje, temos a deplorar o que foi feito no Paraná. No início da década de setenta, tivemos um caso explícito de tentativa de corrupção, ao tempo da nomeação de governador, que foi, prontamente, resolvido, pela exoneração de quem havia patrocinado a nomeação, isto é, o presidente Médici instalou e despejou do Palácio Iguaçu o governador Haroldo Leon Peres, que, mesmo destituído do cargo de governador, não foi preso.

Mas, eis que agora, neste dia, o Paraná se entristece em assistir a primeira prisão de um ex-governador, sua esposa, seu irmão, seu ex-chefe de gabinete e mais quatro ou cinco pessoas próximas. Se a prisão de Beto Richa e seu irmão Pepe Richa envergonha e constrange o Paraná, muito mais que isso, macula, mancha e desconsidera o grande legado do pai, José Richa, que foi um homem público decente, líder da oposição no Estado ao tempo do regime militar, primeiro governador eleito pelo povo, no restabelecimento do voto direto,  e grande brasileiro, com influência positiva na política nacional.

Há coisas que chamam a atenção, mas que, por uma razão qualquer, não se revela tal impressão. Quando Beto Richa se elegeu governador do Paraná e criou a poderosa Secretaria de Infra-Estrutura, agrupando secretarias, e fez a entrega de seu comando ao irmão José Richa Filho, soou como um centro nervoso de previsíveis negociatas, num governo que se imaginava novo, em tudo, inclusive e especialmente, no respeito ao dinheiro público. Vê-se, agora, a confirmação da impressão pessoal havida, lá atrás, em que os dois filhos não souberam honrar a memória do pai. Um deles, inclusive, carregando o nome do próprio pai, José Richa Filho, chamado de Pepe Richa. Lançado candidato a deputado federal, recuou logo ao início, para não chamar muita atenção num debate que pudesse levar ao apontamento de coisas erradas no âmbito da secretaria que comandou.

É um indicativo claro do fim de um grupo político. Fim da carreira de um líder, que aparentava aos olhos do povo do Paraná que haveria de ter futuro no plano nacional. Ironicamente, foi essa a razão, inclusive, de uma propina do Grupo Odebrechdt, conforme relato de um dos delatores da empresa.

Há poucos dias, ainda, defendemos aqui as candidaturas ao Senado de dois ilustres nomes da Educação do Paraná, Flávio Arns e Oriovisto Guimarães. Mais do que nunca, parece ser uma indicação prudente e segura para o voto do eleitor paranaense. Dois exemplares da decência que se deseja na política.

Um comentário em “Prisão de Beto, esposa e irmão é uma mancha na memória do pai, José Richa

  • setembro 11, 2018 em 23:30
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    Parabéns Adail, pela bem escrita matéria, a respeito dos herdeiros do poder na política paranaense.

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