fbpx

As esquisitices das posições dos candidatos locais, nas composições interesseiras que fazem – II

A desmoralização do quadro partidário é consequência do oportunismo da nova classe política, surgida a partir do fim do regime militar, na ânsia de liberdade e do voto livre, de vereador a presidente da República.

Em 74, na transição do general Emílio Garrastazu Médici para o general Ernesto Geisel, na Presidência da República, o MDB experimentou uma inesperada vitória nas urnas, elegendo deputados estaduais e federais e senadores. Interessante que o MDB, o antigo, teve dificuldades para compor suas chapas, porque a impressão que havia era a de que a vitória eleitoral pertenceria aos candidatos da Arena, partido do governo. Aqui no Paraná, por exemplo, a Arena lançou o deputado estadual João Mansur para o Senado, enquanto o MDB teve dificuldades. Dentre os convidados, figurou o ex-prefeito Eurico Batista Rosas, aqui de Ponta Grossa, que não aceitou o convite, entendido como missão de sacrifício. Sem nada a perder, um advogado de Londrina, desconhecido no Paraná, chamado Francisco Leite Chaves se apresentou para ocupar a vaga, que ninguém queria. Como o MDB não tinha quem colocar, aceitou a disposição do desconhecido. Desconhecido que venceu a eleição.

Aquela vitória do MDB levou para Brasília deputados federais despreparados, do Brasil inteiro, eis que se candidataram sem a menor pretensão eleitoral. Como o partido foi surpreendido por um inesperado contingente eleitoral, esse voto de legenda levou todo mundo para Brasília. No caso do Paraná, houve um caso folclórico em que o dono de uma banca de jornais de Curitiba virou deputado federal, Pedro Lauro.

Com Geisel, se deu a abertura política, pois avançamos para a primeira eleição direta para governadores, em 82. E, nesse avanço na direção do restabelecimento da plenitude democrática, tivemos a criação de novos partidos, especialmente de esquerda, a partir do PT.

E, aí, valia filiar todo mundo e lançar esse todo mundo sem o menor senso de ideologia política. E, nesse desmonte da qualidade partidária, surgiram também partidos de centro e de direita, que, da mesma forma, fizeram embarcar para Brasília figuras oportunistas, sem o menor compromisso com o espírito público. Isso tudo foi determinante para essa realidade mesquinha do quadro partidário que temos.

Abordamos ontem o vai-e-vem dos deputados Aliel Machado, da esquerda para o centro, e Márcio Paulik, do centro para a esquerda. Aí, num patamar mais em baixo, temos candidatos a Assembleia Legislativa, como o médico e vereador José Carlos Sahagoff Raad, o Dr. Zeca, que foi vereador duas vezes, vice-prefeito e vereador, de novo, sempre, no caso de vereador, como campeão de votos, na faixa dos seis mil votos. Caminha sozinho, estando, nesta campanha, envolvido em esquisitas dobradinhas, ora com o deputado Márcio Pauliki, do Solidariedade, que busca uma cadeira na Câmara Federal, ora com o deputado federal Sandro Alex, do PSD. Zeca pertence ao PPS, que está na coligação do deputado Ratinho Júnior, mesmo candidato do deputado Sandro Alex.

Ainda, temos o vereador Júlio Kuller, que pertenceu ao PPS, foi para ara o PSD, depois para o PMB, por cujo partido se candidatou a prefeito em 2016, daí se transferiu para a Rede, de Marina Silva, junto com o deputado federal Aliel Machado e, por fim, foi parar no MDB, pelo qual saiu candidato a deputado estadual.

Júlio, no segundo turno, apoiou a candidatura de Aliel para prefeito, em 2016. Aí, virou assessor de Aliel em Brasília, a quem acompanhou na ida para a Rede. Depois, houve um divórcio, Aliel foi para o PSB e Júlio para o MDB. Assim, Aliel apoia a candidatura da governadora Cida Borghetti, do PP, enquanto Júlio apoia o deputado João Arruda, MDB.

Um desafio para o eleitor entender tanta mudança e tanta “coerência”…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *