fbpx

Eleição é um processo passional. É o que explica o mito Bolsonaro

Estamos a assistir uma campanha eleitoral atípica, com o surgimento de um mito que está a desestabilizar a esquerda e a direita. O desespero da esquerda fica por conta do que o mito representa um grande e perigoso inimigo declarado; e a direita, que o combate, é porque quer a eleição de um outro representante seu, menos radical e, talvez, mais preparado. Porém, todos os críticos da presente campanha eleitoral parecem ter memória curta, pois, em 89, tivemos a mais atípica das eleições, com um caçador de marajá dando um grito nas Alagoas, e de lá, correndo o Brasil inteiro, em meio a uma fantástica consagração popular. O restante dessa aventura, que a paixão do eleitor permitiu que acontecesse, fica por conta do embebedamento do mito de então, que não teve consciência da responsabilidade assumida com os milhões de brasileiros que o ovacionaram em praça pública. Ficou essa lição para a História.

Hoje, o deputado Jair Bolsonaro, cuja história o mostra como um cidadão comum, militar de formação e deputado sem brilho, surgiu para o Brasil, a partir da consagração que teve nas urnas do Rio de Janeiro, há quatro anos, quando se reelegeu para a Câmara Federal como o deputado mais votado do Rio, fazendo mais de 500 mil votos.

Essa é a explicação para o mito que está aí, nessa campanha presidencial, tido e havido como imbatível. E o eleitor desse mito está pouco se importando com as críticas feitas a ele, se tem ou não preparo administrativo, se é ou não o melhor candidato para enfrentar essa que tem sido a maior crise política financeira e administrativa da História do Brasil. É que o eleitor brasileiro cansou da esquerda, que prometia tudo, mas só não anunciou que o tudo que prometia era invertido, e aí promoveu os maiores desmandos e produziu a maior tragédia da moralidade pública, com uma corrupção nunca vista e imaginada, neste País. E o mito dessa esquerda criminosa e corrupta está condenado e preso. Ou seja, o eleitor brasileiro não quer mais saber dessa esquerda, nem da corrupção. Cansou.

E, aí, aparece um mito, que não é da esquerda e que não é ladrão. Pronto, era tudo o que esse eleitor estava esperando. Se o deputado Jair Bolsonaro vai participar, ou não, de novos debates na televisão, pouco importa. Se for, tudo o que ele falar estará certo, e tudo o que falarem mal dele não terá crédito. Se ele não for mais a debate, esse seu eleitor nem vai assistir o que os seus concorrentes têm a dizer, simplesmente, porque a esse eleitor não interessa o discurso de nenhum deles.

É, por isso, que a campanha eleitoral é um processo passional, e não racional. Quem nunca havia, antes, prestado atenção nesse detalhe, que se convença, a partir de agora, da eleição deste ano.

Querem um exemplo desse processo passional?

Quem é o candidato, de todos os que estão aí, que aceitaria um convite para pular na garupa de um cavalo e dar uma volta olímpica no picadeiro do Rodeio de Barretos, acenando para o grande público, com um chapéu na mão? Não aceitaria, pelo medo do tamanho da vaia.

Pois, Jair Bolsonaro aceitou, deu a volta olímpica, em meio a gritos e aplausos daquele grande público. Sem anúncio nenhum de que aquilo aconteceria. Tem explicação? Sim, tem, o mito será aplaudido onde quer que se apresente, com discurso, ou sem discurso. Em Barretos, nem precisou discursar. Bastou aparecer por lá e desfilar na garupa de um cavalo. Foi um sucesso. Um grande acontecimento de sua campanha.

E assim tem sido em cada cidade, que visita. Enquanto os demais candidatos são recebidos por um grupo de correligionários, Bolsonaro é recebido pelo povo na rua e desfila em carro de som. Ou na garupa de um cavalo. E, isso, anotem, vai se repetir numa primeira visita a uma cidade do Rio Grande do Sul.

Podem gostar, ou não, do estilo do mito, mas a ninguém é dado o direito de ignorar, fingindo que não está vendo. Eis, pois, a campanha presidencial deste ano, com o mito Jair Bolsonaro, rumo ao Palácio do Planalto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *