fbpx

As esquisitices das posições dos candidatos locais, nas composições interesseiras que fazem – I

Ninguém acredita em partido político, pois, de entidade fundamental na sustentação da democracia, nossos políticos o transformaram em verdadeiros balcões de negócios, de acordo com as conveniências de cada um. E disso participa boa parte de nossos políticos locais, inclusive e especialmente, candidatos nesta campanha eleitoral.

Podemos iniciar pelo deputado federal Aliel Machado, feito e criado nas mais autênticas colunas da esquerda, como o PT e o PCdoB. Eleito vereador pelo PCdoB, em 2012, conquistou a presidência da Câmara Municipal, reunindo prestígio para disputar uma cadeira na Câmara Federal. E, aí, ganhou a eleição, fazendo dobradinha fechada com o deputado Péricles de Holleben Mello, do PT e seu padrinho político, contando, ainda, com o apoio do então empresário e candidato a deputado estadual, pelo PDT, Márcio Pauliki.

Dois anos depois, disputou a Prefeitua Municipal, mas já pela Rede, de Marina Silva, tendo a repetição do apoio do deputado Péricles, enquanto o deputado Márcio Pauliki apoiou a candidatura do vereador Júlio Kuller,, pelo PMB – Partido da Mulher Brasileira. O vencedor do pleito foi o prefeito Marcelo Rangel, que conquistou sua reeleição.

No ano seguinte, 2017, o deputado Aliel Machado deixa a Rede e se transfere para o PSB, que, no Paraná, é um partido de centro, eis que seu presidente regional, Severino Araújo, é suplente do senador Álvaro Dias, hoje no Podemos, por cujo partido disputa a Presidência da República. Com essa filiação, Aliel está apoiando a candidatura, à reeleição, da governadora Cida Borghetti, do PP, com a vantagem de ser, hoje, o nomeador dos cargos de chefia dos núcleos do governo do Estado, em Ponta Grossa. Não ajudou a eleger Cida, mas virou seu grande aliado, por aqui. Aliado e beneficiário.

Como a principal liderança do PSB em Ponta Grossa é a vice-prefeita

Professora Elizabeth Schmidt, que apoia a reeleição do deputado Sandro Alex, do PSD, não se imagina qual possa ser a receita eleitoral de Aliel, nessa corrida pela sua primeira reeleição, eis que, para todos os efeitos, abandonou os companheiros da esquerda, sem perspectivas de formar base no eleitorado de centro e de direita do PSB local. Ou seja, nascido e criado na extrema esquerda, Aliel Machado, sem nenhuma razão de caráter ideológico, se transferiu, de armas e bagagens, para um partido de centro. As urnas haverão de explicar essa pública e escancarada incoerência.

Em outra ponta, literalmente, temos o deputado Márcio Pauliki, criado e formado no conservadorismo político de Ponta Grossa. Teve o PPS como seu primeiro partido, ao lado dos irmãos Marcelo Rangel Cruz de Oliveira e Sandro Alex Cruz de Oliveira. Desejando um partido próprio para concorrer com os irmãos Oliveira, foi para o PDT, onde confundiu o partido como um departamento da empresa da família, o MercadoMóveis. Partido de esquerda, fundado por Leonel Brizola, que nunca teve a simpatia do eleitorado da cidade e da região. Nesse partido, criou uma incrível dependência do ex-senador Osmar Dias, tido e havido até vinte dias atrás como candidato a governador. Mais, por orientação e apoio de Osmar foi para o Solidariedade, partido do sindicalista deputado Paulinho da Força (Sindical), que defende, por exemplo, o retorno do Imposto Sindical, eliminado pela Reforma Trabalhista, do presidente Michel Temer, com os aplausos dos empresários brasileiros. E pontagrossenses e paranaenses.

Partido sem deputado no Paraná, obrigou Márcio, agora candidato a deputado federal, a bater em portas conservadoras, sem encontrar apoio. Aí, só lhe restou o PMDB, do senador Roberto Requião, e, coligado a esse partido, apoia a candidatura do deputado João Arruda ao governo do Estado, uma vez que seu antigo ídolo e líder, Osmar Dias, abandou o barco da disputa eleitoral. Conservador e de direita, foi para o PMDB de esquerda de Requião. E precisará discursar em apoio a volta do Imposto Sindical.

As urnas, igualmente, haverão de falar sobre esse outro proceder da incoerência política, nesta região do Paraná.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *