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Márcio, de direita, vai para a esquerda, e Aliel, de esquerda, faz caminho ao contrário

Enquanto registramos, ontem, a coerência partidária dos deputados Péricles de Holleben Mello, sempre no PT, Plauto Miró Guimarães Filho, sempre no PFL/DEM, e Sandro Alex, que, ainda que trocando o PPS pelo PSD não mudou de linha ideológica, até porque os dois partidos possuem S no nome, temos a registrar um comportamento atípico dos deputados Márcio Pauliki de perfil conservador a caminho de companhias de esquerda, e Aliel Machado, criado e eleito na esquerda, buscando aconchego no PSB, que, no Paraná, é partido de centro, muito mais para a direita do que para a esquerda.

O empresário Márcio Pauliki, de vistosa e meritória visibilidade no mundo empresarial, decidiu ingressar na política, fazendo parceria com os irmãos Marcelo Rangel e Sandro Alex, no PPS. Parceria de curtíssimo prazo, pois, desejoso de ter em mãos o comando de um partido, enveredou para a esquerda, no PDT, do ex-senador Osmar Dias, tendo, sem nenhuma necessidade, criado uma dependência de Osmar, ao ponto de ter cometido uma segunda e grave incoerência, ao, para ajudar Osmar, se transferir do PDT para o Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, que defende, por exemplo, a volta do imposto sindical. Sendo empresário, parece não ter visto problema algum em ingressar num partido de sindicalista. Na busca de amparo para uma coligação na proporcional e sem encontrar portas abertas em partidos do centro e da direita, acabou caindo nas mãos e braços do MDB do senador Roberto Requião, e, aí, compromissado no apoio ao deputado João Arruda, para governador, e a reeleição de Requião ao Senado. O Solidariedade não ofereceu futuro a Pauliki, que, desde a opção pelo PDT, procura um partido onde possa ser o “dono”, como fez com o PDT na cidade e, agora, com o Solidariedade no Estado. Teria muito mais futuro em partidos, como o PSDB, DEM, PTB e mesmo o PSB. Mas, tudo isso lá atrás, não, agora, em que andou batendo nessas portas, em estado de desespero pela própria sobrevivência política, como candidato a deputado federal.

Caminho inverso fez o deputado Aliel Machado. Eleito vereador e deputado federal pelo PCdoB, fez uma travessia para a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, quando deveria ter ido para o PMDB, atendendo a um convite do senador Roberto Requião e do então vice-presidente da República, Michel Temer, isso em 2015. Teria preservado uma coerência de procedimento em sua vida pública, além da vantagem de pertencer a um partido forte e organizado, onde só teria a ganhar. Convencido da inviabilidade político-eleitoral na Rede, fez nova mudança de casa, inscrevendo-se no PSB, que, aqui no Paraná, é um partido de centro, e muito mais voltado para a direita do que para a esquerda. O presidente do PSB no Estado, o pernambucano Severino Araújo, é suplente, por exemplo, do senador Álvaro Dias, e o PSB está na coligação de apoio da governadora Cida Borghetti. Com isso, imagina-se, em situação normal, que Aliel pode ter perdido seu eleitorado da esquerda e muito dificilmente haverá de conquistar o eleitor do PSB, que é um cidadão de centro, conservador. O eleitor de esquerda de Aliel, de 2014, deverá, ao que tudo indica, votar para a Câmara Federal na senadora Gleisi Hoffmann, que deverá formar dobradinha com o deputado Péricles de Holleben Mello, que apoiou Aliel há quatro anos atrás. Aliás, como o deputado Márcio Pauliki, também. E, agora, são concorrentes.

Como se vê, nesses dois casos, coerência parece não ser prioridade. Mais, talvez, tenha havido mistura de coerência com conveniência. E, nessa mistura, o distinto público sai perdendo.

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