Bolsonaro encarna o sentimento de revolta do eleitor brasileiro. E pronto

O deputado Jair Bolsonaro, seguramente, não vai brilhar nos debates eleitorais de emissoras de televisão, porque não é um intelectual, nem carrega experiência em administração pública. Entretanto, ele apresenta um detalhe que o diferencia de todos os seus concorrentes: ele encarna o sentimento de revolta do cidadão comum. Mais, ele não é de esquerda e não é ladrão. É contra o PT, contra o Lula, contra a Dilma, contra o Temer. Pronto, é tudo o que o eleitor busca para mudar o Brasil.

Como o processo eleitoral é uma manifestação do eleitor muito mais sentimental do que racional, Bolsonaro é o candidato que, desde o surgimento de seu nome, se identificou com esse dado relevante do eleitor. E, uma vez firmada essa identificação, não há argumento capaz de fazer esse eleitor mudar seu voto. Basta lembrar a campanha de 1989, a primeira eleição direta para presidente da República com o fim do regime militar, que elegeu Collor de Mello, no embalo daquele discurso mentiroso de “caça aos marajás”. Mas, Collor encarnou o lado sentimental do eleitor, que queria uma renovação e um “novo” Brasil. E quem se apresentou com esse figurino foi, exatamente, o ex-governador de Alagoas, que concorreu com outros vinte e um candidatos, dentre os quais, Lula, Brizola, Maluf, Mário Covas, Afif Domingos, Aureliano Chaves, Ulysses Guimarães. Se o voto fosse a expressão da racionalidade, haveria de ser feito justiça, por exemplo, com o deputado Ulysses Guimarães, que, este sim, lutou o tempo todo pela redemocratização do País, como “chefe” da oposição. Mas, sequer, foi levado em conta pelo eleitor.

Um segundo exemplo pode ser visto na candidatura à reeleição de Lula, em 2006. A despeito do escândalo do mensalão, Lula virou o pai dos pobres, o presidente do Bolsa Família e venceu aquelas eleições, com um pé amarrado nas costas. Não contente com isso, criou um poste, na sua sucessão, chamado Dilma Rousseff, e elegeu e reelegeu o tal poste. Dilma não tinha prestígio; ganhou as duas eleições pelo apoio de Lula.

Entretanto, o discurso de Lula e Dilma de terem tirado 40 milhões de brasileiros da pobreza e os colocado na classe média acabou por não se sustentar, nos dois governos de Dilma, eis que o dinheiro que havia para o Bolsa Família se esgotou, porque não cuidaram de criar novas fontes de receita na mesma proporção em que esbanjavam o dinheiro do caixa. Foi quando a crise explodiu, Dilma foi tirada do governo e Temer está a comandar um governo sem rumo, sem credibilidade, sem moral, Temer é o mais do mesmo de Lula e de Dilma. Inclusive, na corrupção.

Ora, estamos na marca de dezesseis anos de toda essa fanfarronice, com ações de práticas de uma esquerda despreparada e desonesta, que cansou a sociedade nacional. E eis que essa sociedade nacional está a clamar por um governo diferente de tudo isso, um presidente de cara limpa, que não seja de esquerda, que combata o Lula, a Dilma, o Temer, e que não seja ladrão. E, aí, com todas as medidas desse figurino surge um ex-capitão do Exército, deputado federal, pelo Rio de Janeiro, chamado Jair Bolsonaro.

A campanha, é verdade, está apenas no seu início. Entretanto, não parece difícil se imaginar que Bolsonaro estará no segundo turno, seja para disputar com Geraldo Alckmin, seja para disputar com Ciro Gomes. E o eleitor de Bolsonaro quer que seu candidato continue sendo, exatamente, o que é, que fala o que pensa e sustenta o que diz. Quer que continue sendo o único candidato capaz de colocar a poderosa Rede Globo de joelhos, a se explicar, constrangidamente, do apoio oferecido ao regime militar.

É esse o herói do eleitor que quer um Brasil diferente. Esse é o “mito”, que está reunindo multidões pelo Brasil afora.

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